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Obras da Patrística

Igreja discente

Cardeal Newman

É bastante notável que, embora falando historicamente o século IV seja a época dos doutores, aquele que foi iluminado por santos como Atanásio, Hilário, os dois Gregórios, Basílio, Crisóstomo, Ambrósio, Jerônimo e Agostinho (tendo sido bispos todos esses santos, com uma única exceção), contudo, nessa mesma época, tenham sido os leigos que mantiveram a tradição divina confiada à Igreja.

Efetivamente, isso exige alguma explicação: dizendo isso, não nego evidentemente que, em sua expressiva maioria, os bispos tenham sido ortodoxos, no mais íntimo de sua fé; tampouco nego que tenha havido membros do clero para assistir os leigos e servir-lhes de guia e fonte de inspiração; nem desconheço que os leigos tenham recebido certamente a fé, em primeira mão, dos bispos e do clero; não nego que haja entre os leigos alguns ignorantes e que outros se tenham corrompido por pregadores arianos, os quais conseguiram apoderar-se das sedes episcopais e ordenar sacerdotes heréticos. No entanto, persisto em dizer que, nessa época de imensa confusão, o dogma divinamente revelado da divindade de Nosso Senhor foi proclamado, afirmado e mantido e, falando humanamente, preservado muito mais pela Ecclesia docta do que pela Ecclesia docens; que o corpo dos bispos foi infiel à sua missão, ao passo que os leigos permaneceram fiéis ao seu batismo; que ora o Papa, ora uma sede patriarcal, metropolitana ou outras sedes importantes, ora concílios gerais disseram o que jamais deveriam ter dito, ou realizaram atos que obscureceram ou puseram em perigo a verdade revelada. Entrementes, foi o povo cristão que, sob a orientação da Providência, constituiu a força cristã de Atanásio, de Eusébio, de Verceil e de outros confessores solitários da fé, que sem esse povo não teriam resistido […]. Digo que houve suspensão temporária das funções da Ecclesia docens. O conjunto dos bispos foi infiel ao dever de confessar sua fé.

Vejo, pois, na história do arianismo, um rematado exemplo de situação da Igreja durante a qual, se quisermos discernir onde está a Tradição apostólica, é aos fiéis que devemos recorrer.

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No tempo das perseguições

Encontramos, ainda, nos cemitérios subterrâneos, numerosos sinais que nos manifestam muitos aspectos da espiritualidade dos primeiros cristãos. Um dos temas que mais ocorrem é representado pela oração. Esta era feita com um gesto significativo, que se conserva ainda hoje nos gestos litúrgicos do celebrante: erguer os braços na direção do céu para oferecer uma súplica a Deus e esperar a sua Graça. É, ao mesmo tempo, um gesto de oferta e de acolhida. Entretanto não é um gesto de origem cristã. O famoso Orante de Berlim, estátua conservada no museu daquela cidade, representa um homem completamente nu que eleva os braços e os olhos ao céu, em gesto de oração.

Em meados do século III os cristãos de Roma tiveram que enfrentar a terrível perseguição de Décio. Não só houve uma multidão de gente que, por medo, renegou a fé, mas num determinado momento o próprio papa Fabiano com seus sete diáconos, ou seja, quase todos os que dirigiam a Igreja, foram mortos. Sete anos depois, com a perseguição de Aureliano, aconteceu a mesma coisa. Por primeiro, o papa Sixto II (258) surpreendido na catacumba, foi morto aí mesmo com quatro diáconos; em seguida, outros dois diáconos, foram mortos e sepultados no cemitério de Pretestato. Restava apenas Lourenço no governo da Igreja. Também ele será morto alguns dias depois. O mais triste naqueles terríveis dias foi o número extraordinário de lapsos, aqueles que tinham renegado a fé por medo da perseguição.

Sabemos pelas cartas de Cipriano, também ele morto em setembro de 258, que esse foi um momento muito difícil para a Igreja de Roma e, portanto, também para a Igreja de Trastévere.

Um artista daqueles anos, pintou uma barca que está para afundar: parece que tudo se tenha acabado, o mastro principal quebrado, as velas rasgadas, mas há um homem ali com os braços elevados, tranqüilo. O seu gesto exprime serenidade. Do alto, de fato, aparece Deus que coloca a mão em sua cabeça. Ao redor, existem náufragos. Ele, porém, tem a segurança compartilhada com todos os cristãos: apesar da situação que causa medo, a esperança acabaria por prevalecer. As pinturas nas catacumbas revelam-nos sempre a mentalidade dos cristãos, suas devoções, suas crenças.

Para os habitantes de Trastévere, também Maria era importante. A dedicação da basílica de Santa Maria refere-se ao VI século. É, certamente, anterior a Santa Maria Antiga, no fórum romano, e provavelmente posterior a Santa Maria Maior, de 432. Algumas pinturas nas catacumbas revelam o quanto era difusa a devoção a Nossa Senhora. Um famoso afresco das catacumbas de Priscila, representa a Virgem com o Menino e o Profeta, que indica uma estrela significando a realização da profecia de Balaam (“quando aparecer a estrela, o Salvador nascerá de uma virgem”). É provável que seja o próprio Balaam que indica a estrela. Alguns estudiosos pensam que seja Isaías, que proclama a realização da profecia da maternidade de uma virgem.

A adoração dos Magos é também uma cena que se repete com freqüência nas catacumbas. Os Magos, nas pinturas antigas, nem sempre são três; às vezes são quatro, outras vezes, são dois. O Evangelho não diz que eram três: fala de três dons, não de três pessoas: podiam levar três dons em três ou quatro, ou em dois ou cinco. Note-se que as representações mais antigas, não apresentam o presépio, a manjedoura com o boi e o burro. Essa é uma cena mais tardia, que aparece em algum sarcófago do século IV, enquanto na pintura só existe um exemplo, na catacumba de São Sebastião. Explica-se a preferência dada aos magos com a proveniência dos cristãos romanos do mundo pagão, idólatra.

Eucaristia

A imagem da eucaristia , a fractio panis, é encontrada bem expressa na catacumba de Priscila e refere-se àquilo que deveria ser o rito essencial celebrado nos titula, nas várias domus ecclesiae, como as que existiam em Trastevere (titula de Cecília, de Crisógono, de Calisto). A fração dos pães não era um gesto que iniciava qualquer agape, mas era circundada por um complexo litúrgico: canto dos salmos, leitura dos profetas, homilia do celebrante, etc. Entre as várias representações de banquetes alusivos à Eucaristia, optamos por aprofundar a da catacumba de Priscila, onde entre os comensais, nota-se uma mulher com véu. Num banquete pagão não tinha sentido uma mulher com véu. Ao seu lado estão sete pequenos cestos de pão, que são o elemento chave especificador do significado simbólico eucarístico da cena.

Em uma outra pintura do cemitério de São Calisto, na área de Lucina, estão presentes os mesmos pequenos cestos de pão, acompanhados de um peixe: referem-se, certamente, ao milagre da multiplicação dos pães no deserto, havendo relva sob os cestos e o peixe. O pintor quis chamar a atenção para aquele milagre, mas colocou também entre os cestos, sob os pequenos pães, um copo de vinho tinto. Jesus, no deserto, não deu vinho para beber, mas falou claramente que o milagre era realizado em previsão de algo maior. Os pães, embora referindo-se ao milagre do deserto, com a presença do vinho, exprimem a eucaristia. Retornando à pintura da fractio panis da catacumba de Priscila, o gesto eucarístico é indicado e realizado muito bem pelo presidente do banquete, representado à cabeceira da mesa (no mundo antigo o personagem mais importante coloca-se à cabeceira).

O Batismo

As catacumbas transmitem-nos também a mentalidade dos primeiros cristãos em relação ao batismo.

Nós administramos o batismo às nossas crianças derramando um pouco de água sobre suas cabeças. Não era assim para os primeiros cristãos. O seu rito era, talvez, muito mais expressivo, e manifestava plenamente a teologia de São Paulo. Nas catacumbas, o batizando é representado sempre nu, porque deve ser imerso na água. Ele, de fato, deve despojar-se do homem velho e revestir-se do homem novo.

Os antigos entendiam-no muito bem: mesmo na forma dos batistérios, colocados fora da igreja, exprimia-se esse conceito. Eram ambientes que tinham a forma de uma sepultura, otagonal ou hexagonal, justamente como um mausoléu. Quando na noite do sábado santo, os cristãos viam a fila dos batizados que se encaminham com suas roupas comuns e entravam no batistério, pensavam logo na morte: isso mesmo, entravam para morrer, para despojar-se da vida antiga, morrer para ela e depois ressurgir. Pela manhã, viam-nos sair, vestidos com a roupa branca, sinal da vida nova. Essa é uma concepção que devia ter um grande significado para os primeiros cristãos, também de Trastévere.

A Graça do Perdão

Calisto sofreu particularmente pela sua concepção de perdão, em polêmica com as várias seitas rigoristas da época: tudo se perdoa, ele afirmava, desde que haja arrependimento. Recordamos a respeito o modo como Pedro é representado nas catacumbas: muitas vezes tem ao lado, o galo que lhe recordou a traição… É estranho que em Roma, a Igreja fundada por Pedro acentue tanto essa página tão feia da vida do apóstolo, uma página que teria sido melhor esquecer.

Em muitos sarcófagos e nos cubículos catacumbais há aquele bendito galo, há Jesus que, com o dedo, faz o gesto de indicar “três vezes”, e Pedro com a cabeça baixa. Poder-se-ia perguntar, porque os romanos gostavam tanto de recordar essa página da vida do seu fundador. A única explicação convincente é que o fizesse para afirmar a misericórdia de Deus, a sua vontade de perdoar os pecadores, justamente num ambiente em que se negava o perdão, em tempos tão difíceis.

“Pedro – parecem dizer essas imagens – foi perdoado do mesmo pecado que vós, mais rigoristas, dizeis que não deva ser perdoado”. Calisto, grande defensor do perdão universal, tinha bem presente esse episódio da vida de Pedro e, provavelmente, fez dele um dos temas mais freqüentes da sua pregação aos cristãos do Trastévere.

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Ditoso quem se partir/ para ti, terra excelente

Umberto Fasola

Os cristãos, como dizia-se, viviam como as demais pessoas. Há um ponto evidente, porém, que os diferencia dos outros, a concepção da morte e da vida além da morte. Desde o final do século II, foi justamente a concepção da morte e do além que os levou a distinguir-se decididamente dos usos pagãos que, até então, também os cristãos tinham seguido. Os cristãos aceitavam em tudo a vida dos pagãos, exerciam o próprio dever de soldados, de comerciantes, de escravos. Diante do conceito da morte sentiram-se, porém, muito diferentes. Até o final do século II, os cristãos não se tinham colocado o problema de serem sepultados em áreas comuns ao lado dos pagãos. O próprio São Pedro, como se sabe, foi sepultado poucos metros longe de sepulturas pagãs, como também São Paulo na via Ostiense. A partir do final do século II, porém, os cristãos quiseram distinguir-se nas práticas funerárias e separaram seus cemitérios daqueles dos pagãos. Por que?

O conceito pagão de morte era frio, desesperado: o pagão sabia que existia a sobrevivência e acreditava nela, mas para ele era uma sobrevivência sem sentido. De fato, para o paganismo, a alma sobrevivia nos Campos Elíseos ou em outros ambientes ultra terrenos, mas somente enquanto fosse lembrada. Tão logo o defunto fosse esquecido, teria sido absorvido na massa amorfa, sem sentido, privado de personalidade, semelhante aos Manes. E, por isso, como pode-se observar facilmente, os túmulos pagãos são construídos ao longo das vias consulares. Foram deixados alinhados por quilômetros ao longo dessas estradas (particularmente da via Appia) em grande evidência, justamente porque os titulares queriam ser recordados: sabiam que enquanto alguém os via, lia os seus nomes, pensava neles, via a sua estátua, eles sobreviveriam.

Acabada a lembrança, tudo estava acabado. É por isso que faziam testamentos custosos, muito ricos, para obrigar os pósteros à recordação. Temos textos conservados nas epígrafes em que se recorda que os proprietários das sepulturas deixaram grandes cifras aos libertos para que todos os anos, no aniversário, fossem acender uma lâmpada sobre seus túmulos, atraindo a atenção dos vivos; basta recordar a tumba de Cecília Metella na via Appia.

Para os cristãos, isso tudo não tinha sentido: eles acreditavam seriamente na outra vida, não de modo tão desesperado e frio. É por isso que desejavam criar áreas cemiteriais próprias e separadas. Construíram então os Koimeteria, termo que significa literalmente dormitórios. Essa palavra para os pagãos era totalmente incompreensível. Eles, de fato, não entendiam de forma alguma o termo aplicado às áreas funerárias. Por exemplo, no edito de confisco do imperador Valeriano em 257, que é trazido por Eusébio de Cesaréia, diz-se que são confiscados aos cristãos bens e lugares de reunião (em Trastévere, bairro de Roma, foram evidentemente confiscados os “títulos” de Calisto, Crisógono e Cecília) que pertenciam à comunidade. Além desses bens, foram também confiscados os assim chamados Koimeteria, dormitórios.

Os romanos não entendiam o que isso significava. Para um pagão, de fato, “dormitório” era a sala onde se deita à noite e se levanta pela manhã. Para o cristão, era uma palavra que indicava tudo: vai-se dormir para ser despertado, a morte não é o fim, mas o lugar onde se repousa; e há um despertar garantido.

Encontramos outros conceitos com que os cristãos pensavam na morte e encontramo-los nas catacumbas: por exemplo conceito de Depositio. As lápides com a palavra Depositus, às vezes abreviada (depo, Dep ou apenas D) qualificam-se logo como cristãs. De fato, Depositio é um termo jurídico, usado pelos advogados, que queria dizer “dá-se em depósito”: os mortos eram confiados à terra como grãos de trigo, para serem depois restituídos em suas messes futuras. É um conceito desconhecido aos pagãos.

Por todos esses motivos, por uma teologia de morte tão diferente da dos pagãos, os cristãos quiseram isolar-se e criar seus próprios cemitérios. O mesmo foi sentido pelos judeus, mas só depois.

As escavações da Vila Torlônia demostraram com segurança que as catacumbas judaicas foram criadas ao menos 50-60 anos depois das cristãs. Foram os judeus que imitaram os cristãos nesse tipo de sepultura.

A concepção cristã de morte, ou melhor, o mundo dos mortos sentidos como vivos, faz-nos entrar na mentalidade dos primeiros cristãos, dos moradores do Trastévere de então: externamente eram oleiros, trituradores de trigo, serventes de hospedarias, vendedores de peixe, barqueiros, etc., como todos os demais (sabemos, ainda, que eram estimados pelos seus concidadãos como gente que sabia executar bem os seus deveres). No íntimo de suas consciências, porém, tinham algo de profundamente diverso dos outros.

Foi encontrada no Cemitério Maior da vida Nomentana, uma bela epígrafe cristã. Externamente, é um pequeno pedaço de mármore que não apresenta características particulares, mas pelos conceitos que exprime tenho-a como um dos achados mais belos. Fala-se nela de um siciliano morto em Roma, que desejou recordar a sua concepção de vida, com estas brevíssimas palavras em grego: “Vivi como sob uma tenda (isto é, vivi provisoriamente) por quarenta anos, agora habito a eternidade”.

Vemos aqui toda a diferença na concepção de vida entre os cristãos e os pagãos. Para os primeiros tratava-se de entender o presente como uma vida provisória para ir em direção à verdadeira habitação, a verdadeira morada; para os pagãos, a vida tinha um sentido fechado: a morte, de fato, era o seu fim. O momento trágico da morte, tornava-se para os cristãos, o ingresso num ambiente alegre. Jesus compara-o à festa de núpcias. É por isso que os cristãos pintam em seus túmulos rosas, pássaros, borboletas: encontra-se, com freqüência, nas decorações das catacumbas pinturas desse ambiente alegre, sereno, com símbolos que exprimem serenidade e tranqüilidade.

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Símbolo dos Apóstolos

O Credo foi constituído pelos Apóstolos e seus primeiros sucessores, a fim de que o povo cristão guardasse, de memória, os principais pontos da fé católica revelados por Jesus Cristo. Veja esses testemunhos dos Padres da Igreja.

Santo Ireneu (140-202)

A Igreja, espalhada hoje pelo mundo inteiro, recebeu dos apóstolos e dos seus discípulos a fé num só Deus, Pai e onipotente, que fez o céu e a terra, os mares, e tudo quanto nele existe e num só Cristo, Filho de Deus, que se fez carne para a nossa salvação; e no Espírito Santo, que mediante os profetas predisse a salvação por meio do amado Jesus Cristo nosso Senhor, a sua dupla vinda, o seu nascimento da Virgem, a sua paixão e ressurreição dentre os mortos, e que diante dele todo joelho se dobrará no céu, na terra e nos infernos, e toda língua o proclame (Fl 2, 10-11). Então, sobre todos os seres, pronunciará o seu justo julgamento. As almas dos maus, os anjos prevaricadores e apóstatas, precipita-los-á no fogo eterno com os homens pecadores, injustos, iníquos e blasfemadores. Os justos, porém, os santos, aqueles que guardaram os seus mandamentos e perseveraram no seu amor, receberão dele a vida, terão dele a imortalidade e gozarão da glória eterna.

Esta é a doutrina que a Igreja recebeu; e esta é a fé, que mesmo dispersa no mundo inteiro, a Igreja guarda com zelo e cuidado, como se tivesse a sua sede numa única casa. E todos são unânimes em crer nela, como se ela tivesse uma só alma e um só coração. Esta fé ela anuncia, ensina, transmite como se falasse uma só língua.

As línguas faladas no mundo são diversas, mas a força da tradição, em toda parte, é a mesma. As igreja fundadas na Alemanha não tem outra fé e outra tradição. Diga-se o mesmo das igrejas fundadas na Espanha, entre os celtas, no oriente, no Egito, na Líbia ou no centro do mundo, que é a Palestina.

Da mesma forma que o Sol, criatura de Deus, é um só e é idêntico em todo o mundo, assim também o ensino da verdade, que brilha em toda parte e ilumina a todos os homens, que querem chegar ao conhecimento da verdade (cf. 1Tm 3, 15), é sempre o mesmo.” (Adv. Haer. 1,9)

S. Cirilo de Jerusalém (315-386)

Este símbolo da fé não foi elaborado segundo as opiniões humanas, mas da Escritura inteira recolheu-se o que existe de mais importante, para dar, na sua totalidade, a única doutrina da fé. E assim como a semente de mostarda contém em um pequeníssimo grão um grande número de ramos, da mesma forma este resumo da fé encerra em algumas palavras todo o conhecimento da verdadeira piedade contida no Antigo e no Novo Testamento (Catech. ill.5,12)

Santo Ambrósio (340-397)

Este Símbolo é o selo espiritual, a meditação do nosso coração e guardião sempre presente; ele é, seguramente, o tesouro da nossa alma. (Symb.1)

Ele é o Símbolo guardado pela Igreja Romana, aquela onde Pedro, o primeiro dos Apóstolos, teve a sua Sé e para onde ele trouxe a comum expressão da fé(Sententia Comunis). (Symb. 7)

São Gregório de Nazianzo, o Teólogo (330-379)

Antes de todas as coisas conservai-me este bom depósito, pelo qual vivo e combato, com o qual quero morrer, que me faz suportar todos os males e desprezar todos os prazeres: refiro-me à profissão de fé no Pai, no Filho e no Espírito Santo. Eu vo-la confio hoje. É por ela que daqui a pouco vou mergulhar-vos na água e vos tirar dela. Eu vo-la dou como companheira e dona de vossa vida. Dou-vos uma só Divindade e Poder, que existe Una nos Três, e que contém os Três de uma maneira distinta. Divindade sem diferença de substância ou de natureza, sem grau superior que eleve ou grau inferior que rebaixe… A infinita conaturalidade é de três infinitos. Cada um considerado em sí mesmo é Deus todo inteiro… Deus os Três considerados juntos. Nem comecei a pensar na Unidade, e a Trindade me banha no seu esplendor. Nem comecei a pensar na Trindade, e a unidade toma conta de mim (Or. 40,41).

Simbolo Quicumque – de Santo Atanásio (295373)

A fé católica é esta: que veneremos o único Deus na Trindade, e a Trindade na unidade, não confundindo as pessoas, nem separando a substância: pois uma é a Pessoa do Pai, outra a do Filho, outra a do Espírito Santo; mas uma só é a divindade do Pai, do Filho e do Espírito Santo, igual a glória, co-eterna a majestade.

Tertuliando (†220)

A regra de fé – pois é preciso conhecermos desde logo o que professamos – consiste em crer: não há senão um Deus, o criador do mundo, que tirou o universo do nada por meio de seu Verbo, emitido antes de todas as coisas; esse Verbo chamado seu Filho, apareceu em nome de Deus e sob diversas figuras aos patriarcas, se fez ouvir pelos profetas e enfim desceu, pelo Espírito e poder de Deus, ao seio da Virgem Maria, onde se fez carne, passando a viver como Jesus Cristo; em seguida pregou a Nova Lei e a nova promessa do reino dos céus; fez milagres, foi crucificado, ressuscitou ao terceiro dia, foi elevado aos céus e se assentou à direita do Pai; enviou em seu lugar a força do Espírito Santo para guiar os fiéis; virá um dia em glória para levar os santos e dar-lhes o gozo da vida eterna e das promessas celestes, bem como para condenar os profanos ao fogo perpétuo, após a ressurreição de uns e de outros na ressurreição da carne.

Tal é a regra que Cristo estabeleceu, como demonstraremos, e que não há de suscitar entre nós quaisquer questões senão as provenientes das heresias e formuladas pelos hereges.

Contudo, desde que se mantenha inalterado o conteúdo, podeis pesquisar e discutir quanto quiserdes, dando azo à curiosidade, se algum ponto vos parecer ambíguo ou obscuro… Em suma, é melhor ignorar o que não é preciso saber, se se conhece o que se deve.

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A Virgem

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Toda a Tradição fala abundantemente de Nossa Senhora, razão pela qual a Igreja lhe presta um culto especial (hiperdulia). Os santos Padres e Doutores confirmam a nossa fé. Vejamos um pouco de tudo aquilo que eles nos oferecem sobre a Virgem Maria.

São Cirilo de Alexandria (370-442):

Causa-me profunda admiração haver alguns que duvidam em dar à Virgem Santíssima o título de Mãe de Deus. Realmente, se Nosso Senhor Jesus Cristo é Deus, por que motivo não pode ser chamada de Mãe de Deus a Virgem Santíssima que o gerou? Esta verdade nos foi transmitida pelos discípulos do Senhor, embora não usassem esta expressão. Assim fomos também instruídos pelos santos Padres. Em particular Santo Atanásio (295 -373), nosso pai na fé, de ilustre memória, na terceira parte do livro que escreveu sobre a santa e consubstancial Trindade, dá frequentemente à Virgem Santíssima o título de Mãe de Deus. Vejo-me obrigado a citar aqui as suas palavras, que têm o seguinte teor: “A Sagrada Escritura, como tantas vezes fizemos notar, tem por finalidade e característica afirmar de Cristo Salvador essas duas coisas: que Ele é Deus e nunca deixou de o ser, visto que é a Palavra do Pai, seu esplendor e sabedoria; e também que nestes últimos tempos, por causa de nós, se fez homem, assumindo um corpo da Virgem Maria, Mãe de Deus”. E continua mais adiante: “Houve muitos que já nasceram santos e livres de todo pecado: Jeremias foi santificado desde o seio materno; também João, antes de ser dado à luz, exultou de alegria ao ouvir a voz de Maria Mãe de Deus”. Estas palavras são de um homem inteiramente digno de lhe darmos crédito, sem receio, e a quem podemos seguir com toda segurança. Com efeito, ele jamais pronunciou uma só palavra que fosse contrária às Sagradas Escrituras. De fato, a Escritura, verdadeiramente inspirada por Deus, afirma que a Palavra de Deus se fez carne, uniu-se à alma dotada de alma racional. Portanto, a Palavra de Deus assumiu a descendência de Abraão e, formando para si um corpo vindo de uma mulher, tornou-se participante da carne e do sangue. Assim, já não é somente Deus mas também homem, semelhante a nós, em virtude da sua união com a nossa natureza. Por conseguinte, o Emanuel, Deus conosco, possui duas realidades, isto é, a divindade e a humanidade. Todavia é um só Senhor Jesus Cristo, único e verdadeiro Filho por natureza, ainda que ao mesmo tempo Deus e homem. Não é apenas um homem divinizado, igual àqueles que pela graça se tornam participantes da natureza divina; mas é verdadeiro Deus que, para nossa salvação, se tornou visível em forma humana, conforme Paulo testemunha com as seguintes palavras: “Quando se completou o tempo previsto, Deus enviou seu Filho, nascido de uma mulher, nascido sujeito à Lei, a fim de resgatar os que estavam sujeitos à Lei e para que todos recebêssemos a filiação adotiva” (Gal 4, 4-5).

Santo Irineu (140-202):

No Cristo que nasce de Maria, é a humanidade toda que renasce à vida, a solidariedade existente entre Cristo e os homens traz esta conseqüência: a concepção e o nascimento de Jesus já são a redenção por antecipação dos homens. Como por uma virgem desobediente foi o homem ferido, caiu e morreu, assim também por meio de uma virgem obediente à palavra de Deus, o homem recobrou a vida. Era justo e necessário que Adão fosse restaurado em Cristo, e que Eva fosse restaurada em Maria, a fim de que uma virgem feita advogada de uma virgem, apagasse e abolisse por sua obediência virginal a desobediência de uma virgem.

Santo Agostinho (†430):

Pelo sexo feminino caiu o homem e pelo sexo feminino encontrou sua reparação. Pois, uma Virgem deu à luz a Cristo, e uma mulher anunciou a ressurreição! Pela mulher veio a morte. Pela mulher chegou a vida (Sermão 232,2).
Enquanto Cristo é gerado pelo Pai, Deus de Deus, não é sacerdote. Ele o é, em razão da carne que assumiu, em razão da vítima que oferece e recebeu de nós.
Nem se deve tocar na palavra pecado em se tratando de Maria; e isto em respeito Àquele de quem mereceu ser a Mãe, que a preservou de todo pecado por sua graça. Nosso Senhor entrou por sua livre vontade no seio de Virgem… Engravidou sua Mãe, todavia sem priva-la da sua virgindade. Tendo-se formado a si mesmo, saiu e manteve íntegras as entranhas da mãe. Desta maneira, revestiu aquela de quem se dignou nascer, com a honra de mãe e com a santidade de virgem… Que significa isso? Quem pode dize-lo? Quem o pode calar? Coisa admirável. Mas não nos é permitido calar aquilo de que somos incapazes de esclarecer… Não obstante, sentimo-nos constrangidos a louvar, para que o nosso silêncio não seja sinal de ingratidão. Graças sejam dadas a Deus! Aquilo que não se pode exprimir dignamente, pode-se crer firmemente. (Sermão 215,3).

Maria permaneceu virgem concebendo o seu Filho, virgem ao dá-lo à luz, virgem ao carrega-lo, virgem ao alimenta-lo do seu seio, virgem sempre. (Sermões 186,1 3° de Natal).
Veio ele[Cristo] habitar num seio materno, deixando-o intacto.
Com efeito, assim como nesse sepulcro nenhum morto foi sepultado, nem antes, nem depois, (Jo 19,41), também no seio virginal de Maria, nem antes nem depois, ser mortal algum foi concebido.(De fide et symbolo IV,8.11).

Virgem concebeu. Virgem deu à luz. Virgem viveu até a morte, ainda que estivesse desposada com um operário. (A Instrução dos Catecúmenos 22,40).

Nossa fé não é ficção. Nunca vimos o rosto da Virgem Maria da qual, sem contato de varão e sem detrimento de sua virgindade no parto, nasceu o Senhor Jesus Cristo milagrosamente(A Trindade VIII,5,7).

Na verdade, era digno, e de todo conveniente, que o parto daquela que havia procriado ao Senhor do céu e da terra, e que permanece virgem após ter dado à luz, fosse celebrado não somente com festejos humanos, mas com cânticos sublimes de louvor, pelos anjos. (Sermão 193,1 10° do Natal)

Causa-nos admiração o parto de uma Virgem … A integridade virginal permanece inviolada na concepção e no parto. (Sermão 192,1 9° do Natal)
Já era Filho único do Pai aquele que nasceu como filho único de sua Mãe.(idem) Causa-te estranheza, [ó Porfírio] porventura, o inusitado parto de uma Virgem? Nem sequer isto deve constranger-te. Digo mais: isto deve conduzir-te a aceitar a ter piedade, porque aquele que é admirável nasce admiravelmente. (A Cidade de Deus, X,29,1.2)

Maria, Jesus ao ser concebido em ti, encontrou-te virgem, e uma vez nascido te deixa Virgem. Concede-te a fecundidade sem te privar da integridade! De onde te vem tudo isso?… Dize-me, ó Anjo, de onde veio tal glória a Maria? E o Anjo diz: Eu já o declarei ao saudá-la: “Ave, cheia de graça” (Lc 1, 28). (Sermão 291,6).
Mas os católicos, ao contrário, sempre creram na virgindade da santa Maria, no parto. Ele tomou de Maria um corpo real e autêntico, tendo sua Mãe permanecido virgem no parto, assim como depois do parto. (Contra Iulianum I, 2,4)
Mereceu ela conceber e dar à luz, ao que nos consta, sem pecado algum. … porque sabemos que lhe foi conferida maior abundância de graça para vencer qualquer pecado. (De natura et gratia 36,42).

Quando vocês ouvirem falar dos irmãos do Senhor, pensem logo que se trata de algum parentesco que os une a Maria, sem imaginar ter ela tido outros filhos.O hábito de nossa Escritura santa, com efeito, é de não restringir esse nome de irmãos unicamente aos filhos nascidos do mesmo homem e da mesma mulher… É preciso penetrar o sentido das expressões empregadas pela Sagrada Escritura. Ela tem sua maneira de dizer. Possui sua linguagem própria. Quem ignora essa linguagem pode ficar perturbado e perguntar-se: Então, o Senhor tem irmãos? Será que Maria teve ainda outros filhos? Não! De modo algum! … Qual é, pois, a razão de ser da expressão irmãos do Senhor? Irmãos do Senhor eram os parentes de Maria… Como se demonstra isso? Pela própria Escritura, que chama, por exemplo, Lot de irmão de Abraão (Gen 13,8 e 14,14).

E ele era tio de Lot, e, todavia, chamam-se ambos de irmãos, unicamente por serem parentes. Também Labão era tio de Jacó, por ser irmão de Rebeca, esposa de Isaac. Lede a Escritura e vereis que tio e sobrinho tratavam-se de irmãos. (Comentário do Evangelho de João X,2)
O seio de Maria é a câmara nupcial. É aí que Ele se tornou a cabeça da Igreja. (Comentário do Evangelho de João).
Para esse fim [a Encarnação]criou a Virgem, essa que Ele escolheu para que lhe desse o ser em seu seio(De peccatorum meritis et remissione II, 24,38).
Maria deu à luz corporalmente a Cabeça deste corpo. A Igreja dá à luz espiritualmente os membros dessa Cabeça. Nem em Maria nem na Igreja, a virgindade impede a fecundidade. E nem em uma nem em outra a fecundidade destrói a virgindade(A Virgindade Consagrada II,2).
Entre todas as mulheres, Maria é a única a ser ao mesmo tempo Virgem e Mãe, não somente segundo o espírito, mas também pelo corpo. Cristo nasceu com efeito da Mãe que embora em contato com varão concebeu intacta, e sempre intacta permaneceu, concebeu virgem, dando à luz virgem, virgem morrendo, embora fosse desposada com o carpinteiro, extinguiu todo orgulho da nobreza carnal. Uma virgem concebe, virgem leva o fruto, uma virgem dá à luz e permanece perpetuamente virgem.

Santo Efrém (306-373), doutor da Igreja:

A Virgem gerou a Luz, sem ficar com nenhum sinal, como a sarça que ardia ao fogo sem se consumir.

Santo Epifânio (†403):

Voltando-se o Senhor, viu o discípulo a quem amava, e lhe disse, a respeito de Maria: Eis aí tua Mãe; e então à Mãe: “Eis aí teu filho” (Jo 19,26). Ora, se Maria tivesse filhos, ou se seu esposo ainda estivesse vivo, por que o Senhor a confiaria a João, ou João a ela? Mas, e por que não a confiou a Pedro, a André, a Mateus, a Bartolomeu? Fê-lo a João por causa da sua virgindade. A ele foi que disse: Eis aí a tua mãe. Não sendo mãe corporal de João, o Senhor queria significar ser ela a mãe ou o princípio da virgindade: dela procedeu a Vida. Nesse intuito dirigiu-se a João, que era estranho, que não era parente, a fim de indicar que sua Mãe devia ser honrada. Dela, na verdade, o Senhor nascera, quanto ao corpo; sua encarnação não fora aparente, mas real. E se ela não fosse verdadeiramente sua Mãe, aquela de quem recebera a carne, e que o dera à luz, não se preocuparia tanto em recomendá-la como a sempre Virgem. Sendo sua Mãe, não admitia mancha alguma na sua honra e no admirável vaso do seu corpo. Mas prossegue o Evangelho: e a partir daquele momento, o discípulo a levou consigo. Ora, se ela tivesse esposo, casa e filhos, iria para o que era seu, não para o alheio.

S. João Crisóstomo (349-407):

Virgem que permaneceu virgem, sendo verdadeiramente mãe.

S. Gregório Magno (540604) , Papa e doutor da Igreja:

Virgem que deu à luz e, enquanto dava à luz, duplicava a virgindade .

Cirilo de Jerusalém (370-444) , doutor da Igreja:

Que arquiteto, erguendo uma casa de moradia, consentiria que seu inimigo a possuísse inteiramente e habitasse?

São João Damasceno (675749), homilia sobre a dormição da Mãe Santíssima de Deus na festa da Assunção:

Quem ama ardentemente alguma coisa costuma trazer seu nome nos lábios e nela pensar noite e dia. Não se me censure, pois, se pronuncio este terceiro panegírico da Mãe de meu Deus, como oferenda em honra de sua partida. Isto não será favor para ela mas servirá a mim mesmo e a vós, aqui presentes… Não é Maria que precisa de elogios, nós é que precisamos de sua glória. Um ser glorificado, que glória pode receber ainda? a fonte da luz, como será iluminada ainda? Ela [Maria] cativou o meu espírito, ela reina sobre a minha palavra, dia e noite sua imagem me é presente. Mãe do Verbo, dá-me de que falar!… Eis aquela cuja festa celebramos hoje em sua santa e divina Assunção. Aquele que desceu ao seio virgíneo para ser concebido e se encarnar, sem deixar o seio do Pai; Aquele que através da Paixão marchou voluntariamente para a morte, conquistando pela morte a imortalidade e voltando ao Pai; como não pôde ele atrair ao Pai sua Mãe segundo a carne? como não elevaria da terra ao céu aquela que fora um verdadeiro céu sobre a terra? Hoje, da Jerusalém terrestre, a Cidade viva de Deus foi conduzida à Jerusalém do alto; aquela que concebera como seu primogênito e unigênito o Primogêntio de toda a criatura e o Unigênito do Pai, vem habitar na Igreja das primícias; a arca do Senhor, viva e racional, é transportada ao repouso de seu Filho. As portas do paraíso se abrem para acolher a terra portadora de Deus, onde germinou a árvore da vida eterna, redentora da desobediência de Eva e da morte infligida a Adão. Aquela que foi o leito nupcial onde se deu a divina encarnação do Verbo,veio repousar em túmulo glorioso, como em tálamo nupcial, para de lá se elevar até a câmara das núpcias celestes, onde reina em plena luz com seu Filho, e seu Deus, deixando-nos também como lugar de núpcias seu túmulo sobre a terra…. Mas então? morreu a fonte da vida, a Mãe de meu Senhor? Sim, era preciso que o ser formado da terra à terra voltasse, para dali subir ao céu, recebendo o dom da vida perfeita e pura a partir da terra, após ter-lhe entregue o seu corpo. Era preciso que, como o ouro no crisol, a carne rejeitasse o peso da imortalidade e se tornasse, pela morte, incorruptível, pura, e assim ressuscitasse do túmulo… Erguei vossos olhos, Povo de Deus, alçai vosso olhar! Eis em Sião a Arca do Senhor Deus dos exércitos, à qual vieram pessoalmente prestar assistência os Apóstolos, tributando seu derradeiro culto ao corpo que foi princípio de vida e receptáculo de Deus. Eis a Virgem, filha de Adão e Mãe de Deus: por causa de Adão entrega o seu corpo à terra, mas por causa de seu Filho eleva a alma aos tabernáculos celestes! Que toda a criação celebre a subida da Mãe de Deus: os grupos de jovens em sua alegria, a boca dos oradores em seus panegíricos, o coração dos sábios em suas dissertações sobre essa maravilha, os velhos de veneráveis cãs em suas contemplações. Que todas as criaturas se associem nesta homenagem, que ainda assim, não seria suficiente. Todos, pois, deixemos em espírito este mundo com aquela que dele parte. Cantemos hinos sacros e nossas melodias se inspirem nas palavras: Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo!

Santo Ildefonso de Toledo (617667):

Tua pureza fica salva no anúncio angélico sobre tua prole; tua virgindade encontra segurança no nome de teu Filho, e assim permaneces honesta e íntegra depois do parto. Não quero ver-te [Joviano] questionar sobre o pudor de nossa Virgem no parto, não quero verte corromper a sua integridade na geração; não quero saber violada sua virgindade no momento em que deu à luz. Não lhe negues a maternidade porque foi virgem; não a prives da plena glória da virgindade, porque foi mãe. Se uma dessas coisas tu confundes, em tudo erraste. Desconhecer a harmonia que as une é ignorar por completa a verdade que encerram. Se não pensas assim estás errado, pecas contra a justiça. Se negas à Virgem sua maternidade ou sua virgindade, injurias grandemente a Deus. Negas que ele possa fazer a sua vontade, que ele possa manter virgem a que encontrou virgem. Mas então a divindade do Onipotente antes trouxe detrimento do que benefício a Maria; enfeiou-a Aquele que enchera de beleza, ao criá-la. Cesse o pensamento que assim julga, cale-se a boca que assim fala, não ressoe tal voz. Porque Maria é Virgem por graça de Deus, virgem de homem, virgem por testemunho do anjo, virgem por declaração do esposo, virgem sem sombra de dúvida, virgem antes da vinda do seu filho, virgem depois de concebê-lo, virgem no parto, virgem depois do parto. Fecundada pelo Verbo e de repleta, dignamente deu-o à luz, em nascimento humano, sim, conforme à condição e à verdade das coisas humanas, mas de modo intacto, incorrupto e totalmente íntegro. Isso ela deve a um dom divino, a uma divina graça, a uma divina concessão, mediante uma obra totalmente nova, de eficácia nova, de realização inédita, mantendo-se virgem pela concepção e depois da concepção, pelo parto, com o parto e depois do parto, virgem com o que havia de nascer, com o que nascia, virgem depois do seu nascimento. Dita, pois, esposa e virgem, escolhida para esposa e virgem, criada como esposa e virgem. Sempre virgem, apesar do filho e do esposo, alheia a toda união e comércio conjugal. Verdadeiramente virgem e santa, virgem gloriosa, virgem honrada. E após o nascimento do Verbo encarnado, após a natividade do homem assumido em Deus, do homem unido a Deus, mais santa virgem ainda, santíssima, mais bemaventurada, mais gloriosa, mais nobre, mais honrada, e mais augusta.

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Maria proclama a grandeza do Senhor

São Beda, o Venerável

Proclama mi alma la grandeza del Señor, se alegra mi espíritu  en Dios mi salvador. Con estas palabras, María reconoce en primer lugar los dones singulares que le han sido concedidos, pero alude también a los beneficios comunes con que Dios no deja nunca de favorecer al género humano. Proclama la grandeza del Señor el alma de aquel que consagra todos sus afectos interiores a la alabanza y al servicio de Dios y, con la observancia de los preceptos divinos, demuestra que nunca echa en olvido las proezas de la majestad de Dios.

Se alegra en Dios, su salvador, el espíritu de aquel cuyo deleite consiste únicamente en el recuerdo de su creador, de quien espera la salvación eterna. Estas palabras, aunque son aplicables a todos los santos, hallan su lugar más adecuado en los labios de la Madre de Dios, ya que ella, por un privilegio único, ardía en amor espiritual hacia aquel que llevaba corporalmente en su seno. Ella con razón pudo alegrarse, más que cualquier otro santo, en Jesús, su salvador, ya que sabía que aquel mismo al que reconocía corno eterno autor de la salvación había de nacer de su carne, engendrado en el tiempo, y había de ser, en una misma y única persona, su verdadero hijo y Señor.

Porque el Poderoso ha hecho obras grandes por mí: su nombre es santo. No se atribuye nada a sus méritos, sino que toda su grandeza la refiere a la libre donación de aquel que es por esencia poderoso y grande, y que tiene por norma levantar a sus fieles de su pequeñez y debilidad para hacerlos grandes y fuertes.

Muy acertadamente añade: Su nombre es santo, para que los que entonces la oían y todos aquellos a los que habían de llegar sus palabras comprendieran que la fe y el recurso a este nombre había de procurarles, también a ellos, una participación en la santidad eterna y en la verdadera salvación, conforme al oráculo profético que afirma: Todo el que invoque el nombre del Señor se salvará, ya que este nombre se identifica con aquel del que antes ha dicho: Se alegra mi espíritu en Dios mi salvador.

Por esto se introdujo en la Iglesia la hermosa y saludable costumbre de cantar diariamente este cántico de María en la salmodia de la alabanza vespertina, ya que así el recuerdo frecuente de la encarnación del Señor enardece la devoción de los fieles y la meditación repetida de los ejemplos de la Madre de Dios los corrobora en la solidez de la virtud. Y ello precisamente en la hora de Vísperas, para que nuestra mente, fatigada y tensa por el trabajo y las múltiples preocupaciones del día, al llegar el tiempo del reposo, vuelva a encontrar el recogimiento y la paz del espíritu.

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Morramos com Cristo, e viveremos Nele

Do livro de Santo Ambrósio sobre a morte de seu irmão Sátiro

Vemos que la muerte es una ganancia, y la vida un sufrimiento. Por esto, dice san Pablo: Para mí la vida es Cristo, y una ganancia el morir. Cristo, a través de la muerte corporal, se nos convierte en espíritu de vida. Por tanto, muramos con él, y viviremos con él.

En cierto modo, debemos irnos acostumbrando y disponiendo a morir, por este esfuerzo cotidiano, que consiste en ir separando el alma de las concupiscencias del cuerpo, que es como irla sacando fuera del mismo para colocarla en un lugar elevado, donde no puedan alcanzarla ni pegarse a ella los deseos terrenales, lo cual viene a ser como una imagen de la muerte, que nos evitará el castigo de la muerte. Porque la ley de la carne está en oposición a la ley del espíritu e induce a ésta a la ley del error. ¿Qué remedio hay para esto? ¿Quién me librará de este cuerpo presa de la muerte? Dios, por medio de nuestro Señor Jesucristo, y le doy gracias.

Tenemos un médico, sigamos sus remedios. Nuestro remedio es la gracia de Cristo, y el cuerpo presa de la muerte es nuestro propio cuerpo. Por lo tanto, emigremos del cuerpo, para no vivir lejos del Señor; aunque vivimos en el cuerpo, no sigamos las tendencias del cuerpo ni obremos en contra del orden natural, antes busquemos con preferencia los dones de la gracia.

¿Qué más diremos? Con la muerte de uno solo fue redimido el mundo. Cristo hubiese podido evitar la muerte, si así lo hubiese querido; mas no la rehuyó como algo inútil, sino que la consideró como el mejor modo de salvarnos. Y, así, su muerte es la vida de todos.

Hemos recibido el signo sacramental de su muerte, anunciamos y proclamamos su muerte siempre que nos reunimos para ofrecer la eucaristía; su muerte es una victoria, su muerte es sacramento, su muerte es la máxima solemnidad anual que celebra el mundo.

¿Qué más podremos decir de su muerte, si el ejemplo de Cristo nos demuestra que ella sola consiguió la inmortalidad y se redimió a sí misma? Por esto, no debemos deplorar la muerte, ya que es causa de salvación para todos; no debemos rehuirla, puesto que el Hijo de Dios no la rehuyó ni tuvo en menos el sufrirla.

Además, la muerte no formaba parte de nuestra naturaleza, sino que se introdujo en ella; Dios no instituyó la muerte desde el principio, sino que nos la dio como remedio. En efecto, la vida del hombre, condenada, por culpa del pecado, a un duro trabajo y a un sufrimiento intolerable, comenzó a ser digna de lástima: era necesario dar fin a estos males, de modo que la muerte resituyera lo que la vida había perdido. La inmortalidad, en efecto, es más una carga que un bien, si no entra en juego la gracia.

Nuestro espíritu aspira a abandonar las sinuosidades de esta vida y los enredos del cuerpo terrenal y llegar a aquella asamblea celestial, a la que sólo llegan los santos, para cantar a Dios aquella alabanza que, como nos dice la Escritura, le cantan al son de la cítara: Grandes y maravillosas son tus obras, Señor, Dios omnipotente, justos y verdaderos tus caminos, ¡oh Rey de los siglos! ¿Quién no temerá, Señor, y glorificará tu nombre? Porque tú solo eres santo, porque vendrán todas las naciones y se postrarán en tu acatamiento; y también para contemplar, Jesús, tu boda mística, cuando la esposa en medio de la aclamación de todos, será transportada de la tierra al cielo –a ti acude todo mortal–, libre ya de las ataduras de este mundo y unida al espíritu.

Este deseo expresaba, con especial vehemencia, el salmista, cuando decía: Una cosa pido al Señor, eso buscaré: habitar en la casa del Señor por los días de mi vida y gozar de la dulzura del Señor.

Oración

Escucha, Señor, nuestras súplicas, para que, al confesar la resurrección de Jesucristo, tu Hijo, se afiance también nuestra esperanza de que todos tus hijos resucitarán. Por nuestro Señor Jesucristo.

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As Definições de Deus

Dos Stromata de Clemente de Alexandria

Dice Juan el apóstol, refiriéndose al invisible e inexpresable seno de Dios: «A Dios nadie le vio jamás, pero el Dios unigénito, el que está en el seno del Padre, éste lo explicó» (Jn 1, 18ss).

Por eso algunos lo llamaron abismo, pues aunque abarca y contiene en su seno todas las cosas, es ininvestigable e interminable. Que Dios es sumamente difícil de aprehender se muestra en el discurso siguiente: Si la causa primera de cualquier cosa es difícil de descubrir, la causa absoluta y suprema y más originaria, siendo la causa de la generación y de la continuada existencia de todas las demás cosas, será muy difícil de describir. Porque ¿cómo podrá ser expresable lo que no es ni género, ni diferencia, ni especie, ni individuo, ni número, así como tampoco accidente o sujeto de accidentes? No se le puede llamar adecuadamente «el Todo», porque el todo se aplica a lo extenso, y él es más bien el Padre del todo. Ni se puede decir que tenga partes, porque lo Uno es indivisible, y por ello es también infinito, no en el sentido de que sea ininvestigable al pensamiento, sino en el de que no tiene extensión o limites. Como consecuencia, no tiene forma ni nombre. Y aunque a veces le demos nombres, éstos no se aplican en sentido estricto: cuando le llamemos Uno, Bien, Inteligencia, Ser en sí, Padre, Dios, Creador, Señor, no le damos propiamente un nombre, sino que, no pudiendo otra cosa, hemos de usar estas apelaciones honoríficas a fin de que nuestra mente pueda fijarse en algo que no ande errante en cualquier cosa.

Cada una de estas denominaciones no es capaz de designar a Dios, aunque tomadas todas ellas en su conjunto muestran la potencia del Omnipotente. Las descripciones de una cosa se dicen con referencia a las cualidades de la misma, o a las relaciones de ésta con otras: pero nada de esto puede aplicarse a Dios. Dios no puede ser aprehendido por ciencia demostrativa, porque ésta se basa en verdades previas y ya conocidas, pero nada es previo al que es inengendrado. Sólo resta que el Desconocido llegue a conocerse por gracia divina y por la Palabra que de él procede. Lucas, en los Hechos de los Apóstoles, recuerda que Pablo habló de este modo: «Atenienses, veo que vosotros sois, por todos los conceptos, los más respetuosos de la divinidad. Pues al pasar y contemplar vuestros monumentos sagrados, he encontrado también un altar en el que estaba grabada esta inscripción: “Al Dios desconocido”. Pues bien, lo que adoráis sin conocer, eso os vengo yo a anunciar» (Hch 17, 22-23).

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Demonstremos uns aos outros a Bondade do Senhor

Dos Discursos de São Gregório Nazianzeno

Date cuenta de cuál es el origen de tu existencia, de tu vida, de tu inteligencia y de tu sabiduría, y, lo que está por encima de todo, del hecho de que conozcas a Dios, tengas la esperanza del reino de los cielos, y aguardes la contemplación de la gloria, ahora, por cierto, de forma enigmática y como en un espejo, en aquel día, de manera más plena y pura; ser hijo de Dios, coheredero de Cristo, y, dicho con toda audacia, verte convertido en Dios: ¿de dónde, y por obra de quién, te vienen todas estas cosas?

Limitándonos a hallar en las realidades pequeñas que se hallan al alcance de nuestros ojos, ¿de quién procede el don y el beneficio de que puedas contemplar la belleza del cielo, el curso del sol, la órbita de la luna, la muchedumbre de los astros, y a aquel mismo que en todas estas cosas hace resonar, como en una lira, la armonía y el orden?

¿Quién te dió las lluvias, la agricultura, los alimentos, las artes, las casas, las leyes, la sociedad, una vida grata y a nivel humano, así como la amistad y familiaridad con aquellos con quienes te une un verdadero parentesco?

¿A qué se debe que puedas disponer de los animales, en parte como animales domésticos y en parte como alimentos?

¿Quién te constituyó dueño y señor de todas las cosas que hay en la tierra?

¿Quién otorgó al hombre, para no hablar de cada cosa una por una, todo aquello que le hace estar por encima de los demás seres vivientes?

¿Acaso no ha sido Dios, el mismo que ahora te solicita tu benignidad, por encima de todas las cosas, en lugar de todas ellas? ¿No habríamos de avergonzarnos, nosotros que tantos y tan grandes beneficios hemos recibido o esperamos de él, si ni siquiera le pagáramos con esto, con nuestra benignidad? Y si él, que es Dios y Señor, no tiene a menos llamarse nuestro Padre, ¿vamos nosotros a renegar de nuestros hermanos?

No consintamos en absoluto, hermanos y amigos míos, en administrar de mala manera lo que por don divino se nos ha concedido, que no tengamos que escuchar: «Avergonzaos, vosotros que retenéis lo ajeno, proponeos la imitación de la equidad de Dios, y nadie será pobre».

No nos dediquemos a acumular y guardar dinero, mientras otros tienen que luchar en medio de la pobreza, para no merecer el ataque acerbo y amenazador de las palabras del profeta Amós: «Escuchadlo, los que oprimís al pobre, diciendo: ¿Cuándo pasará la luna nueva para vender el trigo, y el sábado para ofrecer el grano?»

Imitemos aquella suprema y primordial ley de Dios, que hace llover sobre los justos y los pecadores, y hace salir igualmente el sol para todos; al mismo tiempo que pone la tierra, las fuentes, los ríos y los bosques a disposición de todos sus habitantes; el aire se lo entrega a las aves, y las aguas del mar a los peces, y a todos ellos los subsidios para su existencia con toda abundancia, sin que haya autoridad de nadie que los detenga, ni ley que los circunscriba, ni fronteras que los separen; se lo entregó todo en común, con amplitud y abundancia, y sin deficiencia alguna; tanto para enaltecer la uniforme dignidad de la naturaleza con la equivalencia de sus dones como para poner de manifiesto las riquezas de su benignidad.

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Sábias palavras

Muitas vezes cometemos atos e só mais tarde refletimos sobre os mesmos. Acontece às vezes de você abrir o livro de algum dos padres e ler a sua própria situação resolvida ou encaminhada naquelas páginas. Seria muita pretensão acharmos que nossos casos particulares são únicos e especiais, que nunca ocorreram a nenhuma outra pessoa em todos esses séculos de cristianismo.

Se déssemos a devida atenção aos Padres e Santos da Igreja, perceberíamos que muito já foi vivido e discutido por eles, que muito do que ansiamos escutar e discernir já foi explicado e resolvido em dois mil anos de cristianismo.

José Roldão, no Fidei Depositium

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Prefiro agora a Fé Católica

Santo Agostinho, Confissões- VII

Desde então comecei a preferir a doutrina católica, porque agora compreendia: era mais modesto e sincero prescrever a fé em algo que não podia ser demonstrado, tanto por incapacidade da maioria dos homens, como simplesmente por absoluta impossibilidade, do que zombar da fé, prometendo temerariamente uma ciência, para afinal impor a crença numa grande quantidade de fábulas absurdas, incapazes de demonstração. E enquanto tua mão suave e misericordiosa plasmava e formava pouco a pouco o meu coração, eu refletia na infinidade de fatos em que acreditava, sem tê-los visto ou deles ter sido testemunha. Assim, os muitos episódios da história da humanidade, a existência de lugares e cidades nunca visitados, conhecimentos recebidos de amigos, de médicos e de tantos outros em quem temos de acreditar, sob pena de nada podermos realizar na vida. Enfim, como estava absolutamente seguro da identidade de meus pais, o que não poderia saber sem acreditar no que ouvia. Convenci-me então de que, longe de repreender os que acreditam em tuas Escrituras, reconhecidas com tanta autoridade em quase todos os povos, são repreensíveis aqueles que não acreditam e a quem não se deve dar ouvidos se disserem: “Como sabes que estes livros foram dados aos homens pelo espírito do único Deus, que é a verdade?” E isso se adequava tanto melhor à minha crença, quanto é certo que nenhum argumento, por mais capcioso que fosse, de tantos filósofos que discordavam entre si, cujos livros estudei, tinha podido arrancar do meu coração a fé na tua existência, apesar de ignorar o que eras e desconhecer que o governo das coisas humanas pertence a ti.

Na realidade, a esse respeito era a minha fé ora mais forte, ora mais fraca. Mas sempre acreditei que existes e que cuidas de nós, embora não soubesse que idéia devesse ter de tua natureza, ou que caminho nos levaria ou reconduziria a ti. Portanto, sendo os homens incapazes de encontrar a verdade mediante a razão pura, e tendo necessidade do apoio da Sagrada Escritura, eu já principiava a crer que não concederias tanta autoridade por toda a terra a estes Livros Sagrados se não tivesses querido que se acreditasse em ti e se buscasse a ti através deles.

E assim, eu já atribuía à profundeza dos mistérios as obscuridades que antigamente costumavam impressionar-me, pois, sobre o assunto eu já havia recebido várias explicações plausíveis. E a autoridade desses livros ainda me parecia tanto mais venerável e digna de fé absoluta, quanto era claro o seguinte: se de um lado a leitura deles estava ao alcance de todos, por outro lado reservava a dignidade de seu significado oculto a uma percepção mais profunda. A extrema clareza de linguagem e simplicidade de estilo a tornavam acessível a todos e estimulavam a perspicácia daqueles que não têm coração leviano . E recebendo em seu seio a humanidade inteira, apenas a poucos era dado chegar a ti, por estreitas passagens; estes, no entanto, são sempre mais numerosos do que o seriam se a Escritura não tivesse tanto prestígio aliado a tanta humildade, capaz de atrair multidões.

Assim eu meditava, e tu estavas a meu lado. Eu suspirava e tu me ouvias. Eu tateava e tu me guiavas. Eu andava pelos largos caminhos do mundo, e tu não me abandonavas.

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Ensaios e Escritos de Combate

No Álbum de Maria Helena Amoroso Lima

“Senhorita,

Cinco minutos atrás, eu me perguntava o que iria escrever no seu álbum, porque sou naturalmente preguiçoso. Depois, pensei de repente que essa idéia de ter um álbum era, no fundo, bem tocante, bem comovente — que era uma idéia de criança. E, como todas as idéias de criança, ela é geralmente ridicularizada. Porque o mundo não compreende nada da infância. Não digo que o mundo odeie a infância, mas ela o incomoda, e o mundo, que tolera tudo, não suporta que o incomodem.

Logo, as meninas estendem seu álbum às pessoas grandes como os pobres estendem a mão. E saem geralmente decepcionados, elas e eles, pois jamais houve verdadeiros decepcionados no universo senão os privilegiados das Beatitudes, isto é, os pobres e as crianças.

A maior parte dessas grandes pessoas às quais você estendeu a mão — cardeais, teólogos, historiadores, ensaístas, romancistas — lhe deram nem mais nem menos que uma assinatura. A assinatura é aqui o equivalente da moedinha que se dá aos pobres. Entre parênteses: se o regime totalitário triunfa, eles não terão mais sequer necessidade de escrever o nome; escreverão somente um número de matrícula, como os militares e os presidiários.

Mas você não estendeu a mão somente às pessoas grandes, você a estendeu também aos poetas. E vejo que os poetas — ó milagre! — lhe deram sem medir despesas, porque os poetas são por natureza liberais e magnifícos. Doravante não se esqueça de que este mundo horroroso não se sustém ainda senão pela doce cumplicidade — sempre combatida, sempre renascente — dos poetas e das crianças.

Seja fiel aos poetas, permaneça fiel à infância! Não se torne jamais uma pessoa grande. Há um complô das pessoas grandes contra a infância, e basta ler o Evangelho para se dar conta disso. O bom Deus disse aos cardeais, teólogos, ensaístas, historiadores, romancistas, enfim a todos: “Tornem-se semelhantes às crianças”. E os cardeais, teólogos, historiadores, ensaístas, romancistas, repetem de século em século à infância traída: “Tornem-se semelhantes a nós!”.

Quando você reler estas linhas, daqui a muitos anos, faça um pensamento e uma prece pelo velho escritor que acredita cada vez mais na impotência dos Poderosos, na ignorância dos Doutores, na papalvice dos Maquiavéis, na incurável frivolidade das pessoas sérias. Tudo o que há de belo no mundo foi feito, sem que elas soubessem, pelo misterioso acordo da humilde e ardente paciência do homem com a doce Piedade de Deus.

Coragem e boa sorte! Precisamos, todos, superar a vida. Mas a única maneira de superar a vida é amá-la. E a única maneira de amá-la é esbanjá-la sem medida. Todos os pecados capitais juntos danam menos gente do que a Avareza e o Tédio.

Outubro de 1940.

Georges Bernanos, em tradução de Olavo de Carvalho

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São João, 20

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1. No primeiro dia que se seguia ao sábado, Maria Madalena foi ao sepulcro, de manhã cedo, quando ainda estava escuro. Viu a pedra removida do sepulcro.
2. Correu e foi dizer a Simão Pedro e ao outro discípulo a quem Jesus amava: Tiraram o Senhor do sepulcro, e não sabemos onde o puseram!
3. Saiu então Pedro com aquele outro discípulo, e foram ao sepulcro.
4. Corriam juntos, mas aquele outro discípulo correu mais depressa do que Pedro e chegou primeiro ao sepulcro.
5. Inclinou-se e viu ali os panos no chão, mas não entrou.
6. Chegou Simão Pedro que o seguia, entrou no sepulcro e viu os panos postos no chão.
7. Viu também o sudário que estivera sobre a cabeça de Jesus. Não estava, porém, com os panos, mas enrolado num lugar à parte.
8. Então entrou também o discípulo que havia chegado primeiro ao sepulcro. Viu e creu.
9. Em verdade, ainda não haviam entendido a Escritura, segundo a qual Jesus devia ressuscitar dentre os mortos.
10. Os discípulos, então, voltaram para as suas casas.
11. Entretanto, Maria se conservava do lado de fora perto do sepulcro e chorava. Chorando, inclinou-se para olhar dentro do sepulcro.
12. Viu dois anjos vestidos de branco, sentados onde estivera o corpo de Jesus, um à cabeceira e outro aos pés.
13. Eles lhe perguntaram: Mulher, por que choras? Ela respondeu: Porque levaram o meu Senhor, e não sei onde o puseram.
14. Ditas estas palavras, voltou-se para trás e viu Jesus em pé, mas não o reconheceu.
15. Perguntou-lhe Jesus: Mulher, por que choras? Quem procuras? Supondo ela que fosse o jardineiro, respondeu: Senhor, se tu o tiraste, dize-me onde o puseste e eu o irei buscar.
16. Disse-lhe Jesus: Maria! Voltando-se ela, exclamou em hebraico: Rabôni! (que quer dizer Mestre).
17. Disse-lhe Jesus: Não me retenhas, porque ainda não subi a meu Pai, mas vai a meus irmãos e dize-lhes: Subo para meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus.
18. Maria Madalena correu para anunciar aos discípulos que ela tinha visto o Senhor e contou o que ele lhe tinha falado.
19. Na tarde do mesmo dia, que era o primeiro da semana, os discípulos tinham fechado as portas do lugar onde se achavam, por medo dos judeus. Jesus veio e pôs-se no meio deles. Disse-lhes ele: A paz esteja convosco!
20. Dito isso, mostrou-lhes as mãos e o lado. Os discípulos alegraram-se ao ver o Senhor.
21. Disse-lhes outra vez: A paz esteja convosco! Como o Pai me enviou, assim também eu vos envio a vós.
22. Depois dessas palavras, soprou sobre eles dizendo-lhes: Recebei o Espírito Santo.
23. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos.
24. Tomé, um dos Doze, chamado Dídimo, não estava com eles quando veio Jesus.
25. Os outros discípulos disseram-lhe: Vimos o Senhor. Mas ele replicou-lhes: Se não vir nas suas mãos o sinal dos pregos, e não puser o meu dedo no lugar dos pregos, e não introduzir a minha mão no seu lado, não acreditarei!
26. Oito dias depois, estavam os seus discípulos outra vez no mesmo lugar e Tomé com eles. Estando trancadas as portas, veio Jesus, pôs-se no meio deles e disse: A paz esteja convosco!
27. Depois disse a Tomé: Introduz aqui o teu dedo, e vê as minhas mãos. Põe a tua mão no meu lado. Não sejas incrédulo, mas homem de fé.
28. Respondeu-lhe Tomé: Meu Senhor e meu Deus!
29. Disse-lhe Jesus: Creste, porque me viste. Felizes aqueles que crêem sem ter visto!
30. Fez Jesus, na presença dos seus discípulos, ainda muitos outros milagres que não estão escritos neste livro.
31. Mas estes foram escritos, para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais a vida em seu nome.

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Pão para a Alma

Fonte

Tradução de Felipe Ortiz

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Ora, Ele que O ressuscitou dos mortos ressuscitará também a nós, desde que façamos a Sua vontade, adotemos Seus mandamentos como nossa regra de vida e amemos o que Ele ama; se nos abstivermos de todo tipo de transgressão, avareza, amor ao dinheiro, calúnia e falso testemunho; se não retribuirmos o mal com o mal, ofensa com ofensa, golpe com golpe, maldição com maldição; mas, ao contrário, tivermos em mente o que o Senhor ensinou quando disse: “Não julgueis, para que não sejais julgados”.

São Policarpo
, “Epístola aos Filipenses”.

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“As aves do céu não semeiam, nem segam.” Deus lhes permitiu tomar de tudo e comer livremente. Como um homem injusto e mau que olha injustamente para as coisas dos outros, elas comem o que não lhes pertence. Foi-nos escrito que nós prestássemos atenção a elas para que compreendêssemos todas as parábolas e tivéssemos conhecimento; não para que nós mesmos nos tornássemos ladrões também, mas que em vez disso caminhássemos pela via dos justos dos tempos antigos, que eram agradáveis a Deus.

Das “Cartas” de São Pacômio (“Pafchomian Koinoina”, vol. 3)

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Então, para que possamos saber o tamanho da distância à qual Ele o deslocou do jardim, a Sagrada Escritura nos esclarece esse fato adicional com as palavras: “O Senhor Deus lançou fora Adão e o pôs defronte ao jardim das delícias.” Notem como cada um dos eventos provou ser uma ocasião de benevolência da parte do Senhor comum de todos, e como cada exemplo de castigo transborda de bondade. Quero dizer que a expulsão não foi o único sinal de amor e de bondade; também o foi sua localização defronte ao jardim, de modo que ele pudesse ter uma interminável angústia ao relembrar de que alturas ele caíra, e que se precipitara em tamanhas profundezas. Contudo, mesmo que a sua vista fosse causa de uma dor insuportável, ela entretanto foi ocasião de não pouco benefício: a vista constante provou ser para esse homem aflito um estímulo à cautela no futuro, a fim de que ele não incorresse de novo no mesmo pecado.

São João Crisóstomo, “Homilias Sobre o Gênesis”, Vol. II

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É muito comum que vejamos viajantes que não se desviam do caminho certo mesmo que haja várias curvas; eles evitam as outras estradas uma vez que tenham sido advertidas sobre elas. Quanto mais uma pessoa se mantiver à distância dos caminhos errados em sua jornada, tanto mais ela perseverará no caminho certo. Assim, também a mente começará a ter consciência do verdadeiro sentido da realidade se ela evitar as coisas banais.

São Gregório de Nissa, “Da Glória à Glória”.

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Orações pelo perdão dos pecados são mais eficazes quando acompanhadas de esmolas e jejum, e súplicas elevadas por tais auxílios sobem rapidamente aos ouvidos de Deus. Pois está escrito: “o homem misericordioso faz bem à sua própria alma” (Prov. 11:17), e nada é tão próprio de um homem quanto aquilo que ele gasta com seu próximo. Pois aquela parte de suas posses materiais com que ele atende os necessitados é transformada em riquezas eternas.

Dos “Sermões” de São Leão o Grande.
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Refrear o estômago torna o coração humilde; agradar o estômago torna o espírito orgulhoso.

São João Clímaco, “A Escada da Ascensão Divina”.
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Aquele que conseguiu obter as virtudes e se enriqueceu de sabedoria espiritual vê as coisas claramente em sua verdadeira natureza. Conseqüentemente, acerca de todas as coisas ele tanto age quanto fala de um modo apropriado e nunca se encontra iludido. Pois é de acordo com o nosso uso certo ou errado das coisas que nós nos tornamos bons ou maus.

São Máximo, o Confessor, “Primeira Centúria sobre o Amor”, na “Filocalia”, vol. II.

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Que tribulação não suportarias para encontrar alguém que orasse por ti ao Senhor? Eis aqui quarenta, orando a uma só voz. Onde dois ou três estão reunidos em nome do Senhor, Ele está no meio deles. Quem duvida de Sua presença no meio de quarenta? O aflito debanda para os Quarenta, o jubiloso corre para eles; o primeiro em busca de alívio para suas tribulações, o último para a preservação de suas bênçãos.

São Basílio o Grande, “Homilia sobre os Quarenta Soldados Mártires de Sebaste”.

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Aqueles que renunciaram a seus vícios precisam ainda buscar as virtudes que os farão crescer. Depois de dizer: “aqueles que vêm após Mim, neguem-se a si mesmos”, o Senhor imediatamente acrescenta: “tomem cada dia a sua cruz, e sigam-Me”. Há duas maneiras pelas quais podemos tomar a nossa cruz. Podemos abalar nossos corpos através da abstinência, e podemos afligir nossos corações através da compaixão pelo próximo.

São Gregório o Grande, “Sede Amigos de Deus”.

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A mansidão é o arrimo da paciência, a porta — ou antes, a mãe — do amor, e a base do discernimento, pois está dito: “O Senhor ensinará aos mansos os Seus caminhos” (Salmo 24:9). Ela nos prepara para o perdão dos pecados; ela é a ousadia na oração, uma morada do Espírito Santo.

São João Clímaco, “Escada da Ascensão Divina”.

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Ora, essas Escrituras divinamente inspiradas nos ensinam, tanto as do Velho quanto as do Novo Testamento. Pois o Deus dos dois Testamentos é um só, que no Velho Testamento predisse o Cristo que apareceu no Novo; e que pela Lei e pelos Profetas nos levou à escola do Cristo. “Pois antes que a Fé viesse, estávamos guardados debaixo da Lei”, e “a Lei nos serviu de aio para nos conduzir ao Cristo”.

São Cirilo de Jerusalém, “Instruções Catequéticas” (IV).

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Tal como um casamento e um funeral são exatamente o oposto um do outro, assim também são o orgulho e o desespero. Mas, como resultado da confusão causada pelos demônios, é possível ver os dois juntos.

São João Clímaco
, “A Escada da Ascensão Divina”.

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Há as montanhas de especiarias: aqueles que recebem o Corpo do Senhor Jesus e o envolvem em lençóis com especiarias. Pois é na crença de que Jesus morreu, foi sepultado e ressuscitou que está o auge da verdadeira fé, alcançado pela mais excelente das virtudes. Portanto, onde é que se procura o Cristo? Indubitavelmente, é no coração de um Bispo prudente.

Santo Ambrósio de Milão, “Da Virgindade”.
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O poder do Altíssimo então encobriu com Sua sombra aquela que não conhecia matrimônio, para que ela pudesse conceber, e proclamou seu ventre frutífero como um prado ameno para todos os que desejam colher a salvação, enquanto cantam: aleluia!

Do Hino Acatisto à Santíssima Mãe de Deus.

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Uma alma dócil guarda palavras de sabedoria, pois o Senhor guiará o manso em seu juízo – ou melhor, em seu entendimento.

São João Clímaco, “A Escada da Ascensão Divina”.

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Assim, uma mulher que outrora havia sido lasciva e culpada de sensualidade (um pecado difícil de apagar) não se perdeu do caminho da salvação: pois ela buscou refúgio Naquele que sabe como salvar e que é capaz de erguer o homem dos abismos da impureza. Ela, portanto, não fracassou em seu intento. Mas o tolo fariseu — conta-nos o bendito Evangelista — se escandalizou.

São Cirilo de Alexandria, “Comentário ao Evangelho de São Lucas”.

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Aborto: aborte essa idéia

A tradição cristã, desde suas origens, sempre considerou o aborto como desordem moral gravíssima. Já no tempo dos Apóstolos, a Didaké (ca. 70) prescrevia: “Não matarás o embrião por meio do aborto”. Atenágoras (160) diz que as mulheres que praticam aborto são homicidas. Tertuliano (197) afirma: “É um homicídio premeditado interromper ou impedir o nascimento. Já é um ser humano aquilo que o será” (CSEL 69,24).

Todos os códigos jurídicos, já há mais de quatro mil anos, condenavam o aborto como homicídio. O Código de Hamurabi (1748-1729 a.C.) castiga o aborto, mesmo involuntário ou acidental (§ 209-214). A coletânea das Leis Assírias (séc. XIX-XVIII a.C.) prevê pena terrível para o aborto intencional: a empalação. Entre os persas o aborto era punido com a pena de morte. Entre os hebreus, o historiador Flávio Josefo relata que o aborto é punido com a morte (Hist. dos Ant. Jud. 1, IV, C. VIII). Na Grécia, as leis de Licurgo e de Solom, e a legislação de Tebas e Mileto consideravam o aborto, crime que devia ser punido.

Na Idade Média

A lei dos visigodos edita penas severas contra o aborto. A repressão se agrava à medida que os séculos avançam. No séc. XIII, na Inglaterra, todo aborto era punido com a morte. Mesmo rigor no tempo de Carlos V (1553). Na Suíça a mulher que abortava era enterrada viva. No Brabante (1230), a mulher que abortava era queimada viva. Na França a pena de morte reunia todos os cúmplices de um aborto. O rei Henrique II da França decretou a pena de morte para a mulher que abortasse. A mesma pena foi renovada por Henrique III (1580), Luís XIV (1701) e Luís XV (1731). O Código penal francês, 1791, determina que todos os cúmplices de aborto fossem flagelados e condenados a 20 anos de prisão. O Código penal francês de 1810 prevê a pena de morte para o aborto e o infanticídio. Depois, a pena de morte foi substituída pela prisão perpétua, além disso os médicos, farmacêuticos e cirurgiões erma condenados a trabalhos forçados. Na Igreja, os Concílios do século III decretaram que a mulher que praticasse o aborto ficasse excomungada até o fim da vida. Depois todos os Concílios mantiveram a pena de excomunhão.

Fonte: O Crime do Aborto

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