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Obras da Patrística

Não é Ele o filho do carpinteiro?

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De São Máximo, o Confessor

O Verbo de Deus nasceu uma vez para todos segundo a carne. Mas, por causa do seu amor pelos homens, Ele deseja nascer sem cessar pelo espírito para todos os que o desejam; Ele faz-se criança e forma-se neles ao mesmo tempo que as virtudes; manifesta-se na medida de que sabe ser capaz aquele que o recebe. Agindo desta forma, já não é por ciúme que atenua o brilho da sua própria grandeza, mas porque afere e mede a capacidade daqueles que desejam vê-Lo. Assim, o Verbo de Deus revela-se-nos sempre da maneira que nos convém e contudo permanece invisível para todos, por causa da imensidade do Seu mistério. Por isso, o Apóstolo por excelência, considerando a força deste mistério, diz com sabedoria: «Jesus Cristo é sempre o mesmo ontem e hoje e por toda a Eternidade» (Heb 13,8); Ele contemplava este mistério sempre novo que a inteligência nunca acabará de sondar… Só a fé consegue apreender este mistério, ela que está no fundo de tudo aquilo que ultrapassa a inteligência e desafia a expressão.

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A Misericórdia de Deus para com os Penitentes

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De São Máximo, o Confessor

“Os que anunciaram a verdade e foram ministros da graça divina”; quantos, desde o começo até nós, trataram de explicar em seus respectivos tempos a vontade salvífica de Deus para nós, dizem que não há nada de mais querido e estimado por Deus do que os homens que , verdadeiramente penitentes, convertam-se a Ele.

E para manifestar de uma maneira mais própria de Deus que todas as outras coisas, a Palavra divina de Deus Pai, o primeiro e único reflexo insigne da bondade infinita, sem que haja palavras que possam explicar sua humildade e descida até a nossa realidade, se dignou, mediante a sua encarnação, conviver conosco; e levou a cabo, padeceu e falou tudo aquilo que parecia conveniente para reconciliar-nos com Deus Pai, a nós que éramos seus inimigos; de forma que, estranhos como éramos à vida eterna, de novo nos vimos chamados a ela.

Pois, não só sarou as nossas enfermidades com a força dos milagres, senão que, havendo aceitado as debilidades de nossas paixões e o suplício da morte, como se ele mesmo fosse culpado, estando ele imune de toda a culpa, nos libertou mediante o pagamento de nossa dívida, de muitos e tremendos delitos e, enfim, nos aconselhou com múltiplos ensinamentos, que nos fizéssemos semelhantes a ele, imitando-o com uma qualidade humana melhor disposta e uma caridade mais perfeita para com os demais

Por isso clamava:: «Não vim a chamar os justos à penitencia, senão os pecadores». E também: «Não são os sadios os que necessitam do médico, senão os enfermos». Por isso acrescentou ainda que havia vindo para buscar a ovelha que se havia perdido, e que precisamente havia sido enviado às ovelhas que haviam perecido da casa de Israel. E, ainda que não com tanta clareza, deu a entender o mesmo com a parábola da dracma perdida: que tinha vindo para recuperar a imagem obscurecida com a fealdade dos vícios. E conclui: «Em verdade vos digo, que há alegria no céu por um só pecador que se converta».

Assim também, aliviou com vinho, azeite e curativos ao que havia caído nas mãos de ladrões e, desprovido de todas as vestes, havia sido abandonado quase morto por causa dos maus tratos; depois de colocá-lo sobre a sela de seu cavalo, o deixou numa hospedagem para que o cuidassem; e depois de haver deixado o que lhe parecia ser suficiente para seus cuidados, prometeu dar, em sua volta, o que tivesse ficado pendente.

Considerou como pai excelente aquele homem que esperava o regresso de seu filho pródigo, e o abraçou porque voltava com disposição para a penitência e o agasalhou com seu amor paterno, e não pensou em reprovar-lhe o que havia antes cometido.

Por esta mesma razão, depois de ter encontrado a ovelha perdida das cem ovelhas divinas, que caminhava errante por montes e colinas, não voltou a conduzi-la ao redil com empurrões e ameaças, nem com maus tratos, senão que, cheio de misericórdia, colocou-a sobre seus ombros e a devolveu ao incólume redil.

Por isso, digo também: «Vinde a mim todos os que estais cansados e fatigados, e eu vos aliviarei». E também: «Carregai meu jugo»; ou seja, chama jugo os mandamentos ou a vida de acordo com os evangelhos e, carga, a penitência, que pode parecer as vezes algo mais pesado e que machuca: «porque meu jugo é suave», diz, «e meu peso é leve».

E, de novo, ao ensinar-nos a justiça e a bondade divina, manda e diz: «Sede santos, sede perfeitos, sede misericordiosos, como o é vosso Pai celestial». E: «Perdoai e sereis perdoados». E: «Tudo quanto queiras que te façam os homens, fazei vós a eles».”

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O Consolo da Igreja

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De São Máximo, o Confessor

O nascimento e a adolescência daquela que concebeu e deu à luz – evento impensável, incompreensível, inefável! – ao Filho de Deus, o Verbo, Rei e Deus do Universo, já haviam sido mais maravilhosos que tudo o que se pode ver na natureza. Desde então, todos os dias de sua inteira existência, mostrou um estilo de vida superior à natureza […] Logo, no caminho de sua fatigosa tarefa, sofreu e suportou muitas tribulações, provas, aflições e lamentos durante a Crucifixão do Senhor, alcançando uma completa vitória e obtendo coroas de triunfo, até ao ponto de ser constituída a Rainha de todas as criaturas.

Depois de ver o Filho, o Verbo do Pai, verdadeiro Deus e Rei da Criação, ressuscitar do sepulcro, – acontecimento superior a qualquer outro – e subir ao Céu com aquela natureza humana que dela havia tomado, depois de toda esta glória, não lhe foi poupada aqui na terra uma vida de provas e fadigas, não esteve privada de ansiedades e preocupações. Como se começasse então sua vida pública, em seu desvelo, não concedia sono a seus olhos nem descanso às suas pálpebras nem repouso ao seu corpo (Sl 131,4): e quando os apóstolos se dispersaram pelo mundo inteiro, a santa Mãe de Cristo, como Rainha de todos, vivia no centro do mundo, em Jerusalém, em Sião com o apóstolo predileto que lhe havia sido dado como filho por Nosso Senhor Jesus Cristo. […]

A Virgem não só animava e ensinava aos santos apóstolos e aos demais fiéis a ser pacientes e suportar as provas, senão que era solidária com eles em suas fadigas, lhes sustentava na pregação, estava em união espiritual com os discípulos do Senhor em suas privações e suplícios, em suas prisões. Assim como havia participado com o coração traspassado, na Paixão salvadora de seu Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, assim sofria com eles. Mais ainda, consolava a estes dignos discípulos com suas ações, confortava-os com suas palavras pondo-lhes como modelo a Paixão de seu Filho e Rei. Recordava-lhes a recompensa e a coroa do Reino dos céus, a bem-aventurança e as delícias pelos séculos dos séculos.

Quando Herodes capturou a Pedro, tendo-lhe mantido prisioneiro até a aurora, também ela estava espiritualmente prisioneira com ele: a santa e bendita Mãe de Cristo participava nas suas algemas, rezava por ele e pedia à Igreja que rezasse. E antes, quando aos maus judeus apedrejaram Estevão, quando Herodes ordenou o martírio de Tiago, irmão de João, as perseguições, sofrimentos e suplícios traspassaram o coração da Santa Mãe de Deus: na dor de seu coração e com as lágrimas de seu lamento, era martirizada com ele. […]

Depois da partida de João, o Evangelista, São Tiago, o filho de José, também chamado «irmão do Senhor», tomou a seu cuidado a santa Mãe de Cristo […] Deste modo, também o regresso da santa Mãe de Deus à Jerusalém foi um bem: era ela, com efeito, a segurança, o porto e o apoio dos crentes que ali viviam.

Qualquer preocupação ou dificuldade dos cristãos, era confiada à puríssima, já que habitavam em meio ao rebelde povo judeu. Antes dos santos combates e da morte, de todos os lados vinham os fiéis para vê-la. Ela consolava a todos e a todos fortalecia.

Ela era a santa esperança dos cristãos de então e dos que viriam depois: até o fim do mundo será a mediadora e a fortaleza dos cristãos. Porém, então, sua preocupação e seu empenho eram mais intensos, para corrigir, para consolidar a nova lei do cristianismo, para que fosse glorificado o Nome de Cristo.

As perseguições que sobre a Igreja eram disparadas, a violação dos domicílios dos fiéis, as execuções capitais de numerosos cristãos, as prisões e tribulações de todo o tipo, as perseguições, as fadigas e vexames por que passavam os apóstolos, expulsos de lugar em lugar, todas estas coisas repercutiam em seu coração materno, que sofria por todos e de todos cuidava, com palavras e obras. Era ela o modelo do bem e a melhor mestra no lugar do Senhor, seu Filho, e em vista d’Ele. Era ela a intercessora e advogada de todos os crentes. Suplicava a seu Filho que derramasse sobre todos a sua misericórdia e a sua ajuda.

Os santos apóstolos havia-na escolhido como guia e mestra. Notificavam-lhe qualquer problema que surgisse e dela recebiam propostas e conselhos sobre o que deviam fazer, até o ponto que, os que se encontravam próximos a Jerusalém iam vê-la. De vez em quando, aproximavam-se dela e informavam-na o que haviam feito e como haviam pregado. Seguiam depois suas orientações. Depois de percorrer países distantes, procuravam voltar cada ano, pela páscoa, à Jerusalém, para celebrar com a Santa Mãe de Deus, a festa da Ressurreição de Cristo. Cada um lhe informava sobre sua pregação aos gentios e as perseguições que haviam encontrado por parte dos judeus e pagãos; logo, reconfortados com sua oração e doutrina, retornavam ao apostolado. Assim procediam todos, ano após ano – a menos que houvesse grave impedimento -, exceto Tomé. Ele não podia vir por causa da enorme distância e da dificuldade de se deslocar da Índia onde se encontrava. Todos os demais vinham a cada ano visitar a santa Rainha; depois, fortalecidos com sua oração, voltavam a anunciar a Boa-nova.

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Máximo, o Confessor, e a última grande batalha cristológica

Giovanni Reale

Máximo viveu de 579/580 a 662 e representa a última voz original da Patrística grega. Dentre as suas obras, podemos citar os poderosos Ambigua, traduzidos para o latim por Escoto Eríugena, nos quais são discutidas questões difíceis de Dionísio e Gregório de Nissa, e as Questões a Talássio, os sugestivos Pensamentos sobre o amor, em como os Pensamentos sobre o conhecimento de Deus e sobre Cristo, o Livro ascético, a Interpretação do Pai-Nosso, a Discussão com Pirro, a Mistagogia, numerosos Opúsculos Teológicos e várias Epístolas.

Máximo é importante tanto pelo aspecto filosófico (ele apresenta uma forma de neoplatonoimo repensado a fundo em função da teologia cristã) como pelo aspecto místico-ascético, e sobretudo pelo aspecto teológico, particularmente por sua cristologia.

Eis, por exemplo, um pensamento teológico essencial no que ele insiste e que parece uma refutação ante litteram de Lutero: ‘‘Eu tenho fé e basta-me a Fé em Cristo para a salvação’. Tiago, porém, o contradiz dizendo: ‘Os demônios também crêem e fremem’. E, em seguida: ‘A fé sem obras está morta em si mesma, como também as obras sem a fé.’’

Mas ele foi grande sobretudo pela batalha que travou com energia contra as últimas doutrinas que ameaçavam o dogma cristológico sancionado pelo Concílio de Calcedônia. Com efeito, se haviam difundido doutrinas que sustentavam que, em Cristo, existe uma só energia (monoenergismo) e uma só vontade (monteletismo) de natureza divina. Tratava-se de formas de cripto-monofisismo; Pois Máximo as refutou, demonstrando, com eficácia e grande tenacidade, que em Cristo há duas atividades e duas vontades: a divina e a humana. E assim conseguiu levar à vitória a tese de Cristo como verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Mas pagou essa sua batalha com grandes sofrimentos: sua língua foi cortada, sua mão direita amputada e ele próprio foi mandado para o exílio. Por isso foi chamado ‘o Confessor’, ou seja, ‘Testemunha’ da verdadeira fé em Cristo, que ele chamou ‘o mais forte de todos, porque é e se diz Verdade.’

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Atenção!

Se você acha que a Filosofia Cristã foi superada; que a Igreja é arcaica e precisa progredir; que o Cristianismo é irracional; que os Cristãos são incapazes de responder a críticas; que a Teologia moderna é superior à antiga, retrógrada; que a Patrística pertence a um contexto histórico incompatível com a modernidade; que a Igreja sempre controlou consciências;... Suma desse site. Vá ler o Código da Vinci, e faça bom proveito.

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