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Obras da Patrística

Dionísio Areopagita e a teologia apofática

De Giovanni Reale

Entre os séculos V e VI, viveu o autor que se denomina Dionísio Areopagita, que foi confundido com aquele Dionísio que são Paulo converteu com seu discurso no Areópago. Sob o seu nome, chegou-nos um corpus de escritos (Hierarquia celeste, Hierarquia eclesiástica, Nomes divinos, Teologia mística e Epístolas) que teve grande repercussão na Idade Média (a própria estrutura hierárquica do Paraíso de Dante foi influenciada pela concepção hierárquica da realidade de Dionísio).

Dionísio repropõe o neoplatonismo em termos cristãos, sobretudo o neoplatonismo tal como havia se configurado nas formulações elaboradas por Proclo. Mas o que mais se destaca nesse corpus, que contém muitas concepções bastantes sugestivas, é a formulação da teologia “apofática” (ou negativa). Deus pode ser designado por muitos nomes extraídos das coisas sensíveis e entendidos em sentido translato, enquanto e à medida que ele é a causa de tudo; de modo menos inadequado, Deus pode ser designado por nomes extraídos da esfera das realidades inteligíveis, como “belo” e “beleza”, “amor” e “amado”, “bem” e “bondade”, e assim por diante; porém, melhor ainda, Deus pode ser designado negando-lhe todo atributo, à medida que ele é superior a todos, é o “supra-essencial” e, portanto, o silêncio e a treva expressam melhor essa realidade supra-essencial do que a palavra e a luz intelectual. Eis o trecho mais significativo da Teologia Mística: “A Causa boa de todas as coisas pode ser expressa com muitas e com poucas palavras, mas também com a absoluta ausência de palavras. Com efeito, não há palavra nem inteligência para expressá-la, porque ela está colocada supra-essencialmente acima de todas as coisas só se revela verdadeiramente e sem qualquer véu para os que transcendem todas as coisas impuras e puras, supera toda a subida dos cumes sagrados, abandonam todas as luzes divinas e os sons e discursos celestes e penetram na escuridão onde verdadeiramente reside, como diz a Escritura, aquele que está além de tudo.”

E, transcendendo tudo o que é sensível e também tudo o que é inteligível e inteligente, o homem pode aderir “àquele que é completamente impalpável e invisível” e pertencer completamente “àquele que tudo transcende e a nenhum outro, através da inatividade de todo conhecimento”, tornando-se capaz de “conhecer para além da inteligência através do não conhecer nada”.

Arquivado em:Dionísio Areopagita

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