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Obras da Patrística

A Teologia da Embromação

A preocupação dos fiéis católicos com os padres de passeata e os militantes do socialismo cristão é obviamente meritória e fundamentada. Mas quando alguém passa dessa preocupação legítima e da análise das origens desse movimento, e começa a proclamar a ‘destruição da Igreja’, como o aluno de Gustavo Corção que escreve com o nick de Hereticus , tenho de dizer: ‘Bobagem’. A Teologia da Libertação está destinada, desde já, ao limbo de todas as heresias. Suas sementes malignas continuarão, com certeza, por meio dos que amam a destruição e a mentira, e talvez sejam  revividas futuramente. Mas há pelo menos duas razões para não exagerar o poder dela:

1- A Igreja tem, literalmente, todo o tempo do mundo para combatê-la. Essa conversa de que tal ação eclesial é emergencial costuma ser inconsistente.

2- Não é a primeira vez que uma  heresia seduz bispos, contamina os católicos e ameaça a unidade da Igreja. Vejamos:

Ário e Atanásio

De Carlos Melo

Santo Atanásio, bispo de Alexandria no Egito, foi uma destas figuras marcantes que dão o nome a todo um período histórico: os anos que vão desde o Concílio de Nicéia (325) até o fim do século.

Esta época foi uma das mais turbulentas na história da Igreja. O Édito de Milão, no ano de 313, concedera liberdade religiosa pondo fim à era das perseguições. A vida religiosa começava a desenvolver-se e sua doutrina ganhava lugar eminente perante as filosofias e a sabedoria da cultura clássica. Poderia ter sido um período de crescimento orgânico, pacífico, mas do seu interior, tomou vulto uma heresia de virulência terrível: era a heresia ariana, contra a qual Santo Atanásio foi lutador incansável, elevando-se como um farol de ortodoxia.

Atanásio nasceu em Alexandria, no Egito, em 296. Jovem ainda, aspirou a vida religiosa ficando sob a orientação do bispo Alexandre.

Como é sabido, as primeiras heresias surgidas no seio da cristandade foram as judaizantes. Um dos dogmas católicos que os judeus mais repelem é o da Trindade, porque, no seu ódio de morte contra o cristianismo, o que mais os repugna é que Jesus Cristo seja considerado como segunda pessoa da Santíssima Trindade, ou seja, do Deus Uno em essência e Trino em pessoas.

Ário nasceu na Líbia, então sob dominação romana. Ainda jovem, aderiu ao cisma de Melesio, onde usurpou o posto de Bispo de Alexandria. Ao sofrer duros revezes a causa de Melesio, Ário reconcilia-se com a Igreja. A Igreja, que está sempre pronta por princípio a perdoar ao pecador que se arrepende, admitiu a reconciliação de Ário, aceitando-o no seu seio, ao passo que esse judeu clandestino se aproveitava dessa bondade para lhe causar depois danos catastróficos. “Ário, judeu católico, atacaria insidiosamente a Divindade de Cristo e conseguiria dividir o mundo cristão durante séculos inteiros” (William Thomas Walsh. Filipe II. Ed. Espasa Calpe. P. 266). Assim, após a reconciliação, Ário ordenou-se sacerdote católico e, já como presbítero, ficou encarregado por Alexandre, Bispo de Alexandria, da Igreja de Baucalis.

Vários historiadores eclesiásticos atribuem a Ário um aparatoso e impressionante ascetismo e um ostentoso misticismo, unidos a grandes dotes de pregador e a grande habilidade dialética, o que lhe permitiu convencer grande número de fiéis e, até mesmo, membros da hierarquia da Igreja. Apto com a palavra e a pena, escreveu folhetos e até livros para convencer a hierarquia religiosa, governantes civis e pessoas destacadas do Império Romano, dentre os quais o próprio Imperador Constantino.

Como princípio básico da doutrina de Ário, figurava a tese judaica da unidade absoluta de Deus, negando a Trindade e considerando Cristo Nosso Senhor somente como a mais excelsa das criaturas, mas de nenhuma maneira possuidor de uma condição divina. Não atacava nem censurava Cristo, como faziam os judeus públicos, porque então teria fracassado no seu empreendimento, visto que nenhum cristão o teria seguido. Pelo contrário, a fim de não provocar suspeitas, fazia toda a classe de elogios a Jesus, conseguindo conquistar a simpatia e a adesão dos crentes para logo em seguida destilar o seu veneno, no meio de todos esses gabos, com a negação insidiosa da divindade de Jesus Cristo.

É curioso como certas igrejas que hoje se dizem cristãs fazem a apologia de Ário como se ele tivesse sido um grande evangélico daqueles tempos…

Em 325, deu-se o I Concílio Ecumênico de Nicéia, para definir a doutrina autêntica contra a heresia tão capciosa dos arianos que fazia de Jesus Cristo uma simples criatura do Pai, inferior ao Pai e não Filho de Deus igual ao Pai, consubstancial ao Pai. Atanásio participou desse Concílio, na qualidade de assessor de seu bispo, embora fosse apenas diácono. O arianismo foi condenado e deu-se a definição solene que até hoje rezamos no Credo: “Creio em Jesus Filho Unigênito do Pai, nascido antes de todos os séculos, Deus de Deus, Luz da Luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado, não criado, consubstancial ao Pai”.

A atuação de Atanásio no Concílio foi tão brilhante, tanto pela lucidez de sua doutrina como pela argumentação bíblica apresentada, que transformou-se num verdadeiro triunfo para a causa católica. No entanto, tal vitória conquistou-lhe, porém, o ódio dos arianos que lhe declararam implacável guerra até o fim de sua vida.

Pouco depois do Concílio, vem a falecer o bispo de Alexandria. Povo e clero proclamam Atanásio como sucessor, embora contasse apenas 31 anos de idade. Atanásio, depois de relutar muito, aceitou a eleição como uma evidência da vontade de Deus. E assim, dirigiu Atanásio a Igreja de Alexandria por 46 anos.

Certa vez, os hereges melesianos, unidos aos arianos, acusaram Atanásio de ter assassinado um dos colaboradores do chefe dos primeiros, mas, por sorte, Atanásio conseguiu encontrar o falso defunto, ficando os caluniadores em evidência. De outra feita, recorreram a uma manobra final: convocar um Sínodo de Bispos, em Tiro, onde acusaram Atanásio de haver seduzido uma mulher, calúnia que este conseguiu também destruir. Mesmo assim, os arianos conseguiram obter a destituição de Atanásio como Patriarca de Alexandria.

Os arianos não deram descanso: conseguiram o apoio do imperador, espalharam as mais baixas calúnias contra Atanásio que, por cinco vezes, teve que fugir de sua sede episcopal. Durante toda a sua vida de bispo, se alternaram fugas e retornos triunfais e novos desterros. Refugiou-se por vários anos no deserto e durante cinco anos ficou escondido, durante o dia, no túmulo de seu pai, só saindo à noite para dirigir sua igreja e consolar seus fiéis. Mas Atanásio nunca cedeu perante a heresia: sua constância e firmeza inquebrantável com seus numerosos escritos manteve viva a fé no Verbo Encarnado, consubstancial ao Pai, em favor de toda a Igreja.

Das calúnias lançadas contra Atanásio, os arianos conseguiram ainda convencer o Imperador de que Atanásio tinha comprado trigo aos egípcios, impedindo que este fosse levado para Constantinopla, com o fim de provocar a fome da capital do Império. Constantino então desterrou Atanásio, considerando-o como perigosíssimo perturbador da ordem pública e da unidade da Igreja.

Em todo esse tempo, os Bispos arianos, ganhando primeiro Constância, irmã do Imperador e muito influente junto dele e de outros muito chegados, fingindo-se hipocritamente muito zelosos da unidade da Igreja e do Império, acusaram os defensores da Igreja de estarem a quebrar essa unidade com as suas intransigências e exageros. Assim, conseguiram que Constantino, que antes havia apoiado a ortodoxia do Concílio de Nicéia, fizesse uma virada a favor de Ário, aceitando que a readmissão solene daquele herege na Igreja se efetuasse em Constantinopla, capital do Império. Isto, sem dúvida, teria sido a apoteose e triunfo do judeu Ário, que já acariciava a idéia de chegar a Papa, coisa não impossível do ponto de vista humano, visto que contava com a tolerância amistosa do Imperador e com o apoio cada dia maior dos Bispos da cristandade. Mas, todos os cálculos humanos se frustraram ante a assistência de Deus à sua Igreja que será perseguida, nunca vencida. E Ário, nos próprios umbrais da sua vitória, morreu de forma tão misteriosa como trágica, segundo o testemunho que nos legou o próprio Atanásio.

É dele a profissão de fé conhecida por “Símbolo Atanasiano”. A Igreja o reconheceu como Doutor.

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