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Obras da Patrística

A Celebração da Eucaristia

Fonte

São Justino Mártir

Excerto da Apologia dos Cristãos

A ninguém é permitido participar da Eucaristia, a não ser àquele que, admitindo como verdadeiros os nossos ensinamentos e tendo sido purificado pelo batismo para a remissão dos pecados e a regeneração, leve uma vida como Cristo ensinou[1].
Pois não é pão e vinho comum o que recebemos. Com efeito, do mesmo modo como Jesus Cristo, nosso Salvador se fez homem pela Palavra de Deus e assumiu a carne e o sangue para a nossa salvação, também nos foi ensinado que o alimento sobre o qual foi pronunciada a ação de graças[2] com as mesmas palavras de Cristo[3] e, depois de transformado, nutre nossa carne e nosso sangue, é a própria carne e sangue de Jesus que se encarnou[4].
Os apóstolos, em suas memórias que chamamos evangelhos, nos transmitiram a recomendação que Jesus lhes fizera. Tendo ele tomado o pão e dado graças, disse: “Fazei isto em memória de mim. Isto é o meu corpo” (Lc 22,19; Mc 14,22); e tomando igualmente o cálice e dando graças, disse: “este é meu sangue” (Mc 14,24), e os deu somente a eles. Desde então, nunca mais deixamos de recordar estas coisas entre nós[5]. Com o que possuímos, socorremos a todos os necessitados e estamos sempre unidos uns aos outros[6]. E por todas as coisas com que nos alimentamos, bendizemos o Criador do universo, por seu Filho Jesus Cristo e pelo Espírito Santo.
No chamado dia do Sol[7][8], reúnem-se em um mesmo lugar todos os que moram nas cidades ou nos campos. Lêem-se as memórias dos apóstolos ou outros escritos dos profetas, na medida em que o tempo permite.
Terminada a leitura, aquele que preside toma a palavra para aconselhar e exortar os presentes à imitação de tão sublimes ensinamentos[9].
Depois, levantamo-nos todos juntos e elevamos as nossas preces[10]; como já dissemos acima, ao acabarmos de rezar, apresentam-se pão, vinho e água. Então, o que preside eleva ao céu, com todo o seu fervor, preces e ações de graças, e o povo aclama: Amém[11]. Em seguida, faz-se entre os presentes a distribuição e a partilha dos alimentos que foram eucaristizados, que são também enviados aos ausentes por meio dos diáconos[12].
Os que possuem muitos bens dão livremente o que lhes agrada. O que se recolhe é colocado à disposição do que preside. Este socorre os órfãos, as viúvas e os que, por doença ou qualquer outro motivo se acham em dificuldade, bem como os prisioneiros e os hóspedes que chegam de viagem; numa palavra, ele assume o encargo de todos os necessitados[13].

Reunimo-nos todos no dia do Sol [16], não só porque foi o primeiro dia em que Deus, transformando as trevas e a matéria, criou o mundo, mas também porque neste mesmo dia Jesus Cristo, nosso Salvador, ressuscitou dos mortos[14]. Crucificaram-no na véspera do dia de Saturno[15].
[1] Aqui aparecem as condições para participar da Eucaristia: (1) ter sido batizado; (2) a profissão da verdadeira fé, isto é, “admitir como verdadeiros os nossos ensinamentos” (um herege não pode comungar) e (3) uma vida reta: “leve uma vida como Cristo ensinou”. Estas são as condições ainda hoje…

[2] “Ação de graças” em grego é “eucaristia”.

[3] Tratam-se das palavras da consagração.

[4] Aparece claramente como, desde as origens, é claríssima a consciência que a Igreja tem da presença real e verdadeira do Cristo nas espécies eucarísticas.

[5] Foi o mandamento do Senhor, que a Igreja não cansa de cumprir: “Fazei isto em memória de mim!’

[6] Isto era feito no momento da apresentação das ofertas: traziam-se donativos, ofertas e bens para os pobres e, finalmente, o pão, o vinho e a água para o sacrifício.

[7] Era assim que os pagãos chamavam o Domingo. A palavra Domingo vem do latim: Dies Domini (= Dia do Senhor), Dominica. Foram os cristãos que deram este nome ao primeiro dia. Já o Apocalipse o chama assim, em grego: Kyriaché hemera = dia do Senhor (cf. 1,10).

[8] É importante notar que ninguém, entre os primeiros cristãos, faltava à Eucaristia dominical. Correndo perigo de vida, os cristãos reuniam-se escondidos na noite do sábado para o domingo. Quando o sol ia nascendo, celebravam a Eucaristia e voltavam para casa, para o trabalho normal. Recordem que o domingo era um dia de trabalho como outro qualquer. Somente no século IV o domingo foi declarado dia de descanso! E, mesmo assim, ninguém faltava à Missa!

[9] Após as leituras, a homilia.

[10] Aqui está a oração dos fiéis.

[11] Aqui está a Oração Eucarística, oferecida “por Cristo, com Cristo e em Cristo” e que é concluída com o Amém de toda a assembléia.

[12] Aqui, a comunhão.

[13] Observe-se a idéia tão cara aos Atos dos Apóstolos: a Eucaristia, partilha do Corpo e Sangue do Senhor, deve levar à comunhão fraterna; à preocupação com os necessitados.

[14] O primeiro dia da criação, na linguagem poética do Gênesis, foi num domingo, quando Deus disse: “Faça-se a luz!” Também o domingo é o dia da nova criação, quando o Senhor ressuscitou, fazendo novas todas as coisas!

[15] Sábado.

Notas do Padre Henrique Soares da Costa

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