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Agostinho: Deus é o Ser Porque Imutável

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Nenhum pensador do Ocidente cristão conseguiu superar Agostinho em importância e influência. A bem da verdade, ressalta Lima Vaz, somente a obra de Platão obteve tanto sucesso no mundo antigo como a de Agostinho. A atualidade da obra destes dois pensadores é atestada pela imensa bibliografia que não pára de crescer a cada dia (Lima Vaz, 2002: 179). Agostinho formou muitos discípulos ao longo dos séculos, muitos dos quais se mostraram ser gênios verdadeiramente originais, e não poderia ser diferente, já que sua autoridade reinou praticamente sem par por quase um milênio (P. Boehner, 2000: 203). Sua influência foi tanta que, mesmo quando sua doutrina era deturpada, como de fato o foi sua teologia da história, era capaz ainda de mudar a face da terra. Sem Agostinho nada poderia ligar o nosso mundo ao mundo antigo, ao mundo cristianismo primitivo, aos tempos evangélicos (Ibidem: 204).

As criaturas são degraus para Deus. O conhecimento delas deve, necessariamente, remeter-nos a Deus. Com efeito, se seguirmos a intuição do Doutor de Hipona, a natureza humana, por ser imagem e semelhança de Deus, pode nos falar muito sobre Deus, haja vista que, no tratado da Trindade, Agostinho tenha descoberto algumas imagens da própria Trindade a partir da observação atenta do espírito humano. Contudo, é interessante notar que a essência divina, em si mesma, nos permanece desconhecida. Deus é, pois, incognoscível e, por conseguinte, inefável. De sua natureza só conhecemos, propriamente, o que ela não é.

Um nome, dos muitos dados a Deus, ocupa lugar privilegiado na filosofia agostiniana, qual seja, o de “Aquele que é”. De fato, Deus, por ser imutável, é o próprio ser. A imutabilidade do ser é, deveras, a chave de leitura para o pensamento de Agostinho acerca de Deus. As criaturas recebem dEle o seu ser e são mantidas no ser enquanto participam do ser dAquele que é. Em si mesma nenhuma coisa, que não seja Deus, é. Aliás, é por isso que a essência divina é incognoscível. Como podem as criaturas que não são em si mesmas, porque mutáveis, dentre as quais se inclui o homem, chegar apenas por suas forças a Aquele que é? Por outro lado, paradoxalmente, reside aqui também o fato de a existência de Deus ser evidente, dEle podemos ter algum conhecimento a partir de suas criaturas. Com efeito, como as criaturas que não existem por si mesmas, por serem mutáveis, podem ter passado do não-ser para o ser?

de Sávio de Laet

Arquivado em:Santo Agostinho

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